Em greve de fome, Alexei Navalny será transferido a hospital

O principal opositor do presidente russo Vladimir Putin corre risco de falência renal; ele passou a recusar comida no dia 31 de março

Reuters
19 de abril de 2021 às 10:25 | Atualizado 19 de abril de 2021 às 10:27
Alexey Navalny
Alexey Navalny dentro de sela durante audiência em Moscou
Foto: BABUSHKINSKY DISTRICT COURT/REUTERS

O principal líder de oposição da Rússia, Alexei Navalny, será transferido a um hospital, informou a autoridade prisional do país nesta segunda-feira (19) – 20 dias depois de ele ter iniciado uma greve de fome que provocou alertas de consequências internacionais caso ele morra encarcerado.

Aliados de Navalny, que não têm contato com ele desde a semana passada, disseram que estão preparados para más notícias sobre sua saúde e planejam manifestações nacionais em massa a partir desta quarta-feira (21). 

Neste domingo (18), a filha de Navalny, Dasha, fez um apelo nas redes sociais para que médicos visitassem seu pai na prisão. O pedido aconteceu um dia depois que um grupo de profissionais médicos alertou que Navalny corre riscos de falência renal.

O caso de Navalny isola Moscou ainda mais agora que o governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, adotou sanções econômicas mais duras contra a Rússia e a República Tcheca, membro da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), expulsou espiões russos, acusando Moscou de participar de explosões mortais em um depósito de armas ocorridas em 2014.

Em um comunicado, o serviço prisional russo disse que houve uma decisão favorável a transferência de Navalny, de 44 anos, a um hospital prisional regional, mas não deixou claro se a transferência já aconteceu.

O serviço disse que seu estado é "satisfatório" e que ele consentiu em receber uma "terapia de vitaminas". Ivan Zhdanov, chefe da Fundação Anticorrupção de Navalny, classificou a ação como "uma transferência para a mesma colônia de tortura, só que com um hospital maior, para onde eles levam pessoas gravemente doentes".

"Então só se pode entender que a situação de Navalny piorou, e piorou de tal maneira que até o torturador o admite", disse ele nas redes sociais.

Navalny, ativista anticorrupção que conquistou fama com vídeos viralizados que catalogam a riqueza vasta acumulada por autoridades russas de alto escalão, que ele rotula de "trapaceiros e ladrões", está cumprindo uma pena de dois anos e meio por acusações antigas de apropriação indevida, que ele classifica como "fabricadas" pelo governo russo.

Ele foi preso ao voltar à Rússia em janeiro, depois de se recuperar na Alemanha de um envenenamento com um agente nervoso russo proibido, o que ele e os governos ocidentais qualificaram como uma tentativa de assassinato. O Kremlin nega qualquer culpa.

Colônia Penal Nº2, onde Navalny está detido, é conhecida pelas restrições extremas
Foto: TASS

Navalny entrou em greve de fome no dia 31 de março para protestar contra o que ele disse ser uma recusa das autoridades prisionais de lhe proporcionar tratamento para dores na perna e nas costas. A Rússia diz que ele é bem tratado e que exagera suas doenças para chamar atenção.

*Com informações de Gabrielle Tétrault-Farber, Anastasia Teterevleva, Maxim Rodionov e Maria Vasiliyeva, em Moscou, Jason Hovet e Jan Lopatka, em Praga