Portugal celebra 'revolução dos cravos' com pouco distanciamento social

Mesmo com as restrições impostas pela Covid-19, milhares foram às ruas participar das marchas

Reuters
25 de abril de 2021 às 20:46

As marchas para comemorar o aniversário da revolução que acabou com a ditadura de 47 anos em Portugal voltaram às ruas no domingo (25) com mais gente e menos distanciamento social do que o esperado.

Portugueses saem se reúnem na Avenida da Liberdade, no centro de Lisboa, em Portugal, neste sábado, 25 de abril de 2021, para celebrar os 47 anos da Revolução dos Cravos, que pôs fim à ditadura salazarista
Foto: PAULO MUMIA/ESTADÃO CONTEÚDO

 

As marchas foram canceladas no ano passado por causa do risco de disseminação da COVID-19, mas este ano as autoridades sanitárias permitiram que fossem em frente, com limites para o número de pessoas e regras de distanciamento social em vigor.

A cada ano, as marchas costumam atrair centenas de milhares de pessoas carregando cravos e gritando "25 de abril, sempre. O fascismo nunca mais!". O povo festeja a revolução que começou em 25 de abril de 1974 e acabou com o governo autoritário de Antônio Oliveira Salazar.

Apesar do limite de 1.000 participantes, mais alguns milhares alinharam o percurso da marcha na Avenida da Liberdade, em Lisboa, dificultando o distanciamento social. Helena Martins, de 50 anos, elogiou a marcha porque “estamos em um momento em que os trabalhadores podem vir às ruas  para defender a liberdade porque já houve algumas manifestações contra a liberdade e a democracia”.

Ainda assim, Vergilio Manuel, 71, disse que "deveria haver mais distanciamento social", e  acrescentou: “Já fui a outras marchas, como a 1º de Maio, e correu bem. Tem que haver uma organização muito forte, senão pode dar errado”.

Portugal, que impôs um bloqueio em janeiro para conter o que era então o pior pico de COVID-19 do mundo, começou a suspender as restrições em março e desde então reabriu algumas escolas, esplanadas de restaurantes e cafés, museus e cabeleireiros.