Discurso de Biden é reencontro dos EUA com pautas essenciais, analisa professor

Thiago Amparo, professor de Direito Internacional da FGV-SP, avaliou declarações dos 100 dias de governo do presidente dos Estados Unidos

Produzido por Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
29 de abril de 2021 às 09:29

O discurso que marcou os 100 dias do governo de Joe Biden foi direcionado à ação e sinalização de mudanças no papel dos Estados Unidos na atuação da economia. A avaliação é do professor de Direito Internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Thiago Amparo.

Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (29), o especialista afirmou que o presidente dos Estados Unidos mostrou desde o dia da posse que não perderia tempo em promover mudanças estruturais no país.

"Alguns analistas colocam isso muito claramente: é uma reformulação ou reestruturação de papel do Estado de forma mais ativa na sociedade, com criação de políticas de saúde, educação, questão de reforma tributária e vários outros aspectos", disse Amparo. "É um reencontro dos EUA com algumas pautas essenciais."

Amparo lembrou que os Estados Unidos são marcados por fortes diferenças sociais, por isso, o discurso de Biden foi voltado à classe trabalhadora. "Ele não utilizou o termo 'desigualdade' como abstrato, mas direcionou o discurso para as famílias de classe média e mais pobres, dizendo que elas não seriam impactadas por aumento de imposto. É uma repactuação do próprio pacto social nos EUA, onde os 1% dos mais ricos deveriam pagar mais, e os que mais lutam para manter a economia funcionando seriam beneficiado por esses estímulos que o Biden traz."

Na análise do professor, as declarações feitas sobre os 100 dias do governo Biden sinalizam que o líder quer marcar a história do país. "O discurso efetivamente mostrou que ele quer se colocar como um presidente transformador, no sentido como Roosevelt e poucos outros presidente dos Estados Unidos fizeram antes dele."

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, discursa sobre os primeiros 100 dias de governo
Foto: Reprodução/CNN Brasil (28.abr.2021)