União Europeia interrompe pedidos por vacina da AstraZeneca contra a Covid-19

Segundo comissário do bloco europeu, ainda não se sabe se haverá novos pedidos depois de junho, quando se encerra o contrato com a farmacêutica

Reuters
09 de maio de 2021 às 17:09
Vacina de Oxford/Astrazeneca
Vacina de Oxford/Astrazeneca
Foto: Luiz Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo (5.fev.2021)

A União Europeia (UE) não fez novos pedidos de vacinas da AstraZeneca. O contrato atual termina no mês de junho de 2021, e ainda não se sabe se haverá renovação, disse neste domingo (9) o comissário do Mercado Interno Europeu, Thierry Breton. 

A fala de Breton ocorreu logo depois que a União Europeia confirmou ter fechado contrato de compra de 1,8 bilhão de doses da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech. O comissário disse esperar que os custos das vacinas da Pfizer sejam mais altos. 

Em abril, a comissão de Breton lançou uma ação judicial contra a AstraZeneca. A UE alega que a farmacêutica não está respeitando o contrato para o fornecimento de vacinas e não tem um plano crível de entrega das doses. Apesar disso, Breton não descartou uma renovação do contrato com a AstraZeneca mais adiante. 

Outro complicador são as crescentes preocupações sobre potenciais efeitos colaterais da vacina anglo-sueca contra a Covid-19. 

O regulador de medicamentos da Europa disse na última sexta-feira (7) que está analisando relatórios de um raro distúrbio degenerativo dos nervos em pessoas que receberam doses da vacina, um movimento que acontece depois de terem sido encontrados casos raríssimos em que a vacina pode ter causado trombose. 

Embora o regulador tenha afirmado que os benefícios da vacina da AstraZeneca superaram em muito os riscos, vários países europeus limitaram o uso do imunizante em pessoas com idade avançada ou ate suspenderam totalmente o uso. 

Em resposta a um questionamento do Parlamento Europeu, o presidente francês Emmanuel Macron saudou o movimento do bloco em direção ao que ele vê como vacinas mais eficazes contra as novas variantes da Covid-19, classificando a escolha como "pragmática". "Estamos vacinado com esta vacina [da AstraZeneca] na França e na Europa, e devemos continuar a fazer isso para sair desta crise", afirmou. 

"Mas, para pedidos futuros, para fazer frente às novas variantes, vemos que outras vacinas são mais eficazes, o que demonstra o pragmatismo europeu que eu celebro". 

A União Europeia assinou um novo contrato com a Pfizer para receber 1,8 bilhão de doses de vacinas contra a Covid-19 entre 2021 e 2023, para cobrir doses de reforço, doações e revenda de doses, afirmou a Comissão Europeia na sexta-feira. 

Um aumento nos preços para as vacinas de segunda geração pode ser justificado por novas pesquisas e por possíveis modificações nos equipamentos que produzem as doses, disse o comissário Breton.