Partido indígena do Equador conquista a presidência da Assembleia Nacional

Guadalupe Llori, representante do partido político indígena Pachakutik, foi eleita com o apoio dos aliados do presidente eleito conservador Guillermo Lasso

Da Reuters
16 de maio de 2021 às 17:27
Patrulha militar em distrito eleitoral no sul de Quito, no Equador, em 11 de abr
Patrulha militar em distrito eleitoral no sul de Quito, no Equador, em 11 de abril de 2021
Foto: Foto de Franklin Jacome / Getty Images

 A Assembleia Nacional do Equador elegeu na noite de sábado (15) um representante do partido político indígena Pachakutik como seu presidente para os próximos dois anos, com o apoio dos aliados do presidente eleito, o conservador Guillermo Lasso.

A legisladora Guadalupe Llori conquistou a presidência da Assembleia Nacional com 71 votos na câmara de 137 assentos. Anteriormente, ela atuou como funcionária local na província de Orellana, na região amazônica, e foi presa durante o governo do ex-presidente Rafael Correa por terrorismo e sabotagem, após organizar protestos contra empresas de petróleo. Llori mais tarde recebeu anistia e considera as acusações por motivação política.

 A aliança entre Pachakutik e o partido CREO de Lasso efetivamente marginalizou o partido de esquerda UNES. A UNES obteve a maioria dos assentos no congresso nas eleições no início deste ano, mas ficou aquém de uma maioria absoluta.

“Embora o CREO seja um partido de direita, nesta ocasião ele nos deu uma grande oportunidade para todos os partidos políticos trabalharem juntos para buscar uma verdadeira reconciliação”, disse Llori, que também apoiou outro partido de esquerda chamado Esquerda Democrática, disse em seu primeiro discurso como presidente da Assembleia Nacional.

Lasso, um ex-banqueiro, assumirá o cargo no país produtor de petróleo da América do Sul em 24 de maio, após derrotar o candidato da UNES, Andrés Arauz, um protegido de Correa, em um segundo turno em abril. O candidato de Pachakutik, Yaku Perez, ficou em terceiro lugar na votação do primeiro turno em fevereiro.

Ativistas indígenas no Equador protestaram fortemente contra as atuais políticas de austeridade do presidente Lenin Moreno, favorável ao mercado, mas também tiveram grandes desentendimentos com Correa, a quem acusaram de priorizar a produção de petróleo sobre o meio ambiente e as comunidades indígenas.

Lasso se comprometeu a renovar os contratos de produção de petróleo bruto para atrair mais investimentos para o setor, mas também prometeu revisar a necessidade de mais perfurações na região amazônica, que é ambientalmente sensível.