Espanha tem protesto após morte de jovem por homofobia

Multidões encheram praça central de Madri contra violência. Polícia ainda não tem suspeitos do crime

Giovanna Galvani, da CNN em São Paulo*
06 de julho de 2021 às 10:26 | Atualizado 06 de julho de 2021 às 19:31

Milhares de manifestantes saíram às ruas das maiores cidades da Espanha na segunda-feira (05) para expressar sua raiva pela morte de um homem em um suposto ataque homofóbico no último fim de semana.

Multidões encheram uma praça central de Madri e ativistas marcharam por uma rua importante de Barcelona, entoando slogans e agitando cartazes e bandeiras coloridas. Nas redes, a hashtag #JusticiaParaSamuel (Justiça por Samuel) também ilustrou a indignação coletiva.

O auxiliar de enfermagem Samuel Muñiz, de 24 anos, foi espancado perto de uma boate na madrugada de sábado (03) na cidade de Coruña, norte da Espanha, por um agressor que gritou um xingamento pejorativo a homossexuais.

Uma fonte consultada pela CNN afirmou às autoridades que socorristas tentaram reanimar o jovem no local, mas sem êxito. Ele teria falecido pouco antes de ser levado ao hospital. 

A Subdelegacia do governo de Coruña afirmou que as forças de segurança seguem entrevistando testemunhas e pessoas que estavam nas proximidades do ocorrido, além de estarem recolhendo imagens das câmeras de segurança das imediações. Até o momento, nenhum suspeito foi apresentado às autoridades.

Um representante do governo da região onde está localizada a cidade de Coruña tuitou que a polícia estava trabalhando para descobrir o que aconteceu e levar os perpetradores à justiça. A mídia local citou-o dizendo que a investigação mostraria se o ataque foi motivado ou não pela homofobia.

"A investigação ainda está aberta, embora nenhuma prisão tenha sido feita até agora", escreveu a polícia espanhola no Twitter.

Manifestante em protesto após morte de Samuel Muñiz
Foto: REUTERS/Nacho Doce

Dados do Ministério do Interior mostram que 278 crimes de ódio relacionados à orientação sexual ou identidade de gênero foram relatados na Espanha em 2019, um aumento de 8,6% em relação ao ano anterior.

A Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia alerta que apenas uma fração dos crimes de ódio são denunciados à polícia. No centro de Barcelona, Sergio Cuevas, de 21 anos, disse: "Acho que este crime aconteceu porque a homofobia mata".

Protesto por morte de jovem gay Samuel Muñiz
Foto: REUTERS/Nacho Doce

Repercussão política

"A resposta à onda de ódio LGBTfóbico que acabou com a vida de Samuel em A Coruña é avassaladora", escreveu no Twitter o partido Podemos, de esquerda, que governa em coalizão com os socialistas no poder.

A ministra dos Direitos Sociais e Agenda 2030, Ione Belarra, escreveu que envia "todo o carinho paa os familiares e amigos de Samuel", além de condenar o "crime de ódio". "Queremos um país livre de violências em que todas e todos se sintam livres para serem quem são. Que se faça #JustiçaParaSamuel", complementou.

*Com informações da Reuters e CNN em Espanhol