Elefante viajante da China volta para casa após separar-se do grupo

Manada errante virou atração turística, mas apresenta desafio de repensar habitats naturais para espécies

Nectar Gan, da CNN
12 de julho de 2021 às 14:27
Elefantes percorrem vilarejo no distrito de Hongta, na China
Elefantes percorrem vilarejo no distrito de Hongta, na China
Foto: Meng Zhubin/City Times/VCG via Getty Images

Um dos elefantes errantes da China finalmente conseguiu chegar em casa.

A manada de elefantes selvagens da Ásia atirou para a fama no mês passado enquanto embarcava em uma jornada épica pelo sudoeste da China. Desde que deixou uma reserva natural no ano passado, a manada percorreu mais de 500 quilômetros através da paisagem acidentada da província de Yunnan, vagando livremente pelos campos, vilarejos e grandes cidades.

Na semana passada, um elefante solitário que se separou da manada há um mês foi capturado e retornou à sua reserva natal. Ele havia viajado mais de 190 quilômetros por conta própria, sobrevivendo de alimentos preparados pelas autoridades locais e, às vezes, adquiridos em suas visitas aos vilarejos.

As autoridades disseram que o macho de 1,8 tonelada havia permanecido perto de áreas povoadas e representava um risco para a segurança pública, o que motivou a decisão de tranquilizá-lo e enviá-lo para casa. Veterinários não encontraram ferimentos externos no elefante, que caminhou para a floresta tropical e deu um mergulho no rio após ser solto, disse o governo Yunnan.

Enquanto isso, o resto da manada ainda está marchando no que parece ser uma jornada interminável, monitorada 24 horas por dezenas de drones, centenas de oficiais de emergência e policiais.

Consequências

Alguns especialistas vêem a viagem dos elefantes como uma busca desesperada por recursos melhores. Os elefantes asiáticos são uma espécie protegida na China, e graças aos esforços de conservação, sua população dobrou em quatro décadas. Mas, ao mesmo tempo, quase 40% de seu habitat no sul de Yunnan foi perdido para o desenvolvimento comercial nos últimos 20 anos, afirmou um grupo de pesquisadores chineses em carta à revista científica Nature na semana passada.

Em meio ao rápido crescimento econômico da China, plantações de borracha e chá proliferaram em Yunnan, substituindo grandes extensões de florestas, enquanto rodovias, ferrovias e usinas hidrelétricas traçaram os caminhos da migração. As manadas de elefantes da província ficam fragmentadas e isoladas em parcelas de terra cada vez mais escassas, com muitas forçadas a procurar alimentos em áreas agrícolas.

População de elefantes asiáticos quase dobrou desde 1976
Foto: Xinhua News Agency/Getty Images

Isso levou a um aumento do conflito entre humanos e elefantes. Entre 2014 e 2020, o governo de Yunnan pagou mais de US$ 26 milhões em compensação pelos danos causados pelos elefantes, informou a mídia estatal. Às vezes, tais conflitos também podem ser mortais. De 2013 a 2019, 41 pessoas foram pisoteadas até a morte e 32 outras foram feridas por elefantes asiáticos em Yunnan, de acordo com as autoridades provinciais.

O público pode não saber que sua amada manada de elefantes errantes também ceifou a vida de um aldeão no verão passado, perto da cidade de Pu'er, no sul de Yunnan.

Por enquanto, as autoridades estão tentando afastar a manada das áreas povoadas com iscas de alimentos e bloqueios de estradas. Todos os dias, os animais são alimentados com grandes quantidades de milho, assim como bananas e abacaxis, enquanto caminhões pesados formam longas filas para evitar que os animais entrem em vilarejos e cidades. Ainda assim, milhares de residentes são evacuados a cada dia para ceder espaço à viagem.

A longo prazo, os cientistas dizem que a única maneira de evitar um futuro êxodo de elefantes é restaurar, expandir e reconectar os habitats existentes.