Biden deveria 'aproveitar o momento' para derrubar embargo contra Cuba, diz Lula

Ex-presidente criticou as repercussões sobre as maiores manifestações em décadas no país

Giovanna Galvani, da CNN, em São Paulo
13 de julho de 2021 às 13:08 | Atualizado 13 de julho de 2021 às 19:07

 O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta terça-feira (13) as repercussões sobre as maiores manifestações em décadas em Cuba.

Para Lula, os atos não têm nada de "tão especial" e que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deveria “aproveitar esse momento” para  anunciar o encerramento dos bloqueios econômicos impostos à ilha desde 1962. A suspensão do embargo econômico não pode ser feita por decisão presidencial, mas por meio do Congresso americano.

“Os americanos precisam parar com esse rancor. O bloqueio é uma forma de matar seres humanos que não estão em guerra”, afirmou o presidente sobre os embargos.

"Já cansei de ver faixa contra Lula, contra Dilma, contra o Trump. As pessoas se manifestam. Mas você não viu nenhum soldado em Cuba com o joelho em cima do pescoço de um negro, matando ele", escreveu Lula em publicação no Twitter, em referência à morte do americano George Floyd em maio de 2020. Para Lula, “os problemas de Cuba serão resolvidos pelos cubanos”.

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Reprodução / Instagram

A pandemia agravou a já difícil situação econômica em Cuba. O turismo e as importações de mercadorias caíram drasticamente no país durante desde o início da disseminação do coronavírus.

Raridade

Os atos nas ruas da capital Havana ocorreram no último domingo (10) e repercutiram pela raridade de eventos similares na ilha, chefiada pelo Partido Comunista de Cuba desde a revolução de 1959.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram centenas de pessoas pedindo vacinas contra Covid-19, o fim dos apagões diários de energia e a renúncia do presidente Miguel Díaz-Canel.

O presidente cubano afirmou que as reclamações populares eram estimuladas por "mercenários" pagos pelos Estados Unidos, país que também criticou devido ao embargo aplicado.

Ontem (12), Joe Biden afirmou que os Estados Unidos estavam "ao lado do povo cubano e de seu clamor por liberdade" e classificou o governo central como "regime autoritário".

A situação em Havana também foi comentada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), tanto nas redes sociais quanto em declarações dadas a apoiadores.


"Tem gente aqui no Brasil apoia Cuba, apoia Venezuela, gente que várias vezes foi à Cuba tomar champagne com Fidel Castro, e tem gente aqui que apoia esse tipo de gente. É aquela coisa, o cara prega pra vocês igualdade, são a favor da igualdade na pobreza", afirmou.

"Que a democracia floresça em Cuba e traga dias melhores ao seu povo!", escreveu o presidente no Twitter.