Missões estrangeiras no Afeganistão pedem cessar-fogo ao Talibã

Grupo avança conforme EUA retiram tropas, e não chega a consenso de cessar-fogo com autoridades do país

Reuters*
19 de julho de 2021 às 11:25 | Atualizado 19 de julho de 2021 às 11:46
Policial afegão faz patrulha nos arredores de Cabul
Policial afegão faz patrulha nos arredores de Cabul
Foto: REUTERS/Mohammad Ismail

Quinze missões diplomáticas e a representação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão pediram nesta segunda-feira que o Talibã interrompa suas ofensivas militares, apenas horas depois de os lados rivais do país deixarem uma reunião em Doha sem conseguir chegar a um cessar-fogo.

Uma delegação de líderes afegãos se reuniu com a liderança política do Talibã na capital do Catar ao longo do fim de semana, mas o Talibã, em um comunicado no fim do domingo, não mencionou a paralisação da violência cada vez maior no Afeganistão.

"Neste Eid al-Adha (Festa do Sacrifício), o Talibã deveria abaixar as suas armas para sempre e mostrar ao mundo o seu comprometimento com o processo de paz", disseram as 15 missões diplomáticas e a representação da Otan, em referência ao feriado muçulmano de terça-feira no Afeganistão.

O comunicado foi endossado por Austrália, Canadá, República Tcheca, Dinamarca, a delegação da União Europeia, Finlândia, França, Alemanha, Itália, Japão, Coreia do Sul, Holanda, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos, além da representação civil da Otan.

Nos últimos feriados de Eid, o Talibã convocou curtos períodos de cessar-fogo, dizendo que queriam que os afegãos os comemorassem em paz.

Desta vez, não houve um anúncio desse tipo, no momento em que o Talibã ganha territórios com velocidade em níveis quase sem precedentes de conflitos ao redor do país, com as forças estrangeiras lideradas pelos EUA completando a sua retirada após 20 anos de combates.

Conversas de paz entre o Talibã e afegãos proeminentes do lado do governo -- os militantes se recusaram a reconhecer ou conversar com o governo apoiado pelos EUA -- começaram em setembro do ano passado, mas ainda não fizeram nenhum progresso.

*Por Charlotte Greenfield, Abdul Qadir Sediqi e Orooj Hakimi