À CNN, Lula diz que Trump não foi eleito para ser "imperador do mundo"
Presidente concedeu entrevista exclusiva à âncora da CNN Internacional Christiane Amanpour sobre tarifas de 50% anunciadas pelos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse à CNN que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não foi eleito "para ser o imperador do mundo".
A declaração, em meio à ameaça americana de aplicar tarifas de 50% ao Brasil, foi dada à âncora da CNN Internacional Christiane Amanpour, nesta quinta-feira (17).
Segundo Lula, o anúncio do tarifaço foi uma surpresa, não apenas pelo valor, mas pela forma como foi anunciada, com a publicação de uma carta nas redes sociais de Trump.
"Não podemos deixar o Presidente Trump esquecer que ele foi eleito para governar os EUA. Ele não foi eleito para ser o imperador do mundo", disse.
"Seria muito melhor estabelecer uma negociação primeiro e depois chegar a um possível acordo, porque somos dois países com quem tivemos reuniões muito boas e temos boas relações há 200 anos. E então ele está rompendo com qualquer protocolo, qualquer liturgia que deva existir nas relações entre dois chefes de Estado. Foi muito desagradável", acrescentou.
Lula afirmou que, enquanto o Brasil tenta contato com os Estados Unidos para negociar as tarifas, "também estamos nos preparando para dar uma resposta".
"O que tenho dito é que usaremos todas as palavras que existem no dicionário para tentar negociar", disse.
"Posso garantir que o Brasil, no momento certo, dará a resposta certa à carta do presidente Trump", concluiu.
Na terça-feira (15), questionado sobre a justificativa para o tarifaço contra o Brasil, Trump simplesmente argumentou ter a capacidade para fazê-lo.
"Porque eu sou capaz de fazer isso. Ninguém mais seria capaz", disse Trump na Casa Branca. Questionado se havia algum motivo de segurança nacional, o presidente norte-americano respondeu que "temos tarifas em vigor porque queremos tarifas e queremos que o dinheiro entre nos EUA".
Mais importante, disse Trump, é que as tarifas podem convencer um país ou empresa a "construir nos EUA, fabricar seus produtos nos EUA, e isso cria empregos".
O analista da CNN Caio Junqueira apurou que o governo Lula busca o interlocutor ideal para endereçar a negociação com os EUA, na tentativa que Trump reveja a medida.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que lidera as negociações no Brasil, afirmou durante reuniões com empresários que essa é uma das maiores dificuldades atualmente para resolver o problema.
Em carta enviada ao governo americano assinada por Alckmin, revelada em primeira mão pela âncora da CNN Tainá Falcão, o governo federal manifestou "indignação" com a tarifa de 50%.
Na carta, o governo brasileiro afirma que a medida trará impactos econômicos significativos para ambos os países.
As autoridades destacam que, desde o primeiro anúncio de Trump sobre tarifas — quando o Brasil foi atingido por uma alíquota de 10% —, o Executivo tem buscado manter um canal de diálogo com Washington.
No início da semana, o presidente Lula assinou um decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica.
O decreto do governo brasileiro permite a suspensão de "concessões comerciais, de investimentos e obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual em resposta a ações unilaterais de países ou blocos econômicos que afetem negativamente a sua competitividade internacional".
Aprovada pelo Congresso Nacional em 2 de abril, a Lei da Reciprocidade estabelece critérios de proporcionalidade para a adoção de medidas em resposta a barreiras impostas a produtos e interesses brasileiros.
Pela norma, o Brasil pode oferecer a cidadãos e governos estrangeiros o mesmo tratamento que eles conferem ao país, seja em questões comerciais, concessão de vistos, relações econômicas ou diplomáticas.
A legislação autoriza o governo brasileiro a reagir a ações externas que afetem negativamente a competitividade internacional do país.
(Publicado por Léo Lopes)


