Acampamento atingido por enchente no Texas tinha plano de emergência
Ao menos 27 campistas e monitoras morreram no Camp Mystic, e as autoridades buscam por desaparecidas
Dois dias antes de enchentes fatais no centro do Texas, um inspetor estadual visitou Camp Mystic, um acampamento só para meninas, e certificou que havia um plano de emergência em vigor e que os chalés e outras instalações estavam seguros, segundo registros obtidos pela CNN.
Ao menos 27 campistas e monitoras morreram no Camp Mystic, e as autoridades buscam por desaparecidas.
O inspetor do Departamento de Serviços de Saúde do Estado do Texas confirmou em 2 de julho que o acampamento cristão às margens do rio Guadalupe tinha um plano estadual "para abrigo de emergência e desocupação" em caso de desastre.
O relatório levanta novas dúvidas sobre se esse plano de emergência era adequado e com que rigor foi seguido.
O departamento estadual de saúde não mantém cópias dos planos de emergência do acampamento, mas eles são revisados a cada inspeção anual, disse Lara Anton, porta-voz da agência. Os planos para desastres "incluiriam inundações", observou ela.
Os líderes do Camp Mystic não responderam a telefonemas nem a um e-mail da CNN sobre o plano contra desastres.
“Nossos corações estão partidos, assim como nossas famílias que estão sofrendo esta tragédia inimaginável”, pontua um comunicado no site do acampamento.
“Temos mantido contato com as autoridades locais e estaduais, que estão incansavelmente mobilizando amplos recursos para procurar nossas meninas desaparecidas", adiciona a nota.
Acampamento foi aprovado "sem violações"
Por meio de uma solicitação de registros públicos, a CNN obteve dados dos quatro anos mais recentes de inspeções anuais, que foram reportadas pela primeira vez pela KSAT.
As inspeções avaliaram o Camp Mystic em dezenas de regras de segurança e conformidade diferentes, abrangendo tópicos que vão desde o abastecimento de água até as grades de proteção dos beliches.
Essas regras também incluíam regulamentações estaduais que exigem que os acampamentos elaborem um plano de emergência por escrito "em caso de desastre, acidente grave, epidemia ou fatalidade" e o afixem no escritório do acampamento e "em cada prédio ocupado permanente e semipermanente".
A equipe e os voluntários devem ser informados sobre o plano durante os treinamentos, e os campistas devem ser instruídos sobre o que fazer em caso de desastre ou "necessidade de evacuação".
O inspetor estadual que visitou o Camp Mystic na semana passada relatou que o local estava cumprindo esses requisitos, confirmando que um plano de emergência por escrito havia sido afixado no acampamento e que a equipe e os voluntários foram informados sobre ele.
O especialista também constatou que nenhum dos edifícios ou estruturas do acampamento apresentava risco à segurança, que todos os edifícios estavam em conformidade com os códigos de construção e segurança aplicáveis e que todas as estruturas permanentes estavam em "bom estado de conservação".
O acampamento foi aprovado na inspeção sem "nenhuma deficiência/violação", de acordo com os registros.
As inspeções anuais anteriores também constataram que o Camp Mystic estava seguindo as regras de planejamento de emergência.
O acampamento havia sofrido algumas violações nos últimos anos relacionadas ao preparo de alimentos e à documentação insuficiente de experiência ou treinamento para instrutores de tiro e equitação, mostram os registros.
Queda de energia e falta de celulares durante enchente
Havia 386 campistas e 64 funcionários hospedados na seção mais próxima ao rio Guadalupe, onde ocorreu a pior parte da inundação. Além disso, havia 171 campistas e 44 funcionários na seção próxima do Lago Cypress, de acordo com a inspeção de 2 de julho.
Quando as águas da enchente atingiram o acampamento na madrugada de 4 de julho, monitores e funcionários ajudaram as jovens campistas a subir uma colina, de acordo com relatos de testemunhas.
Mas as águas subiram tão rapidamente que algumas campistas e monitoras, especialmente aquelas que estavam em cabanas em terrenos mais baixos, mais próximas do rio, não conseguiram sair a tempo.
Caroline Cutrona, monitora do Camp Mystic, afirmou à CNN que uma queda de energia por volta das 4h daquela manhã fez com que o sistema de alto-falantes do acampamento não estivesse funcionando, e que ela não recebeu alertas de celular sobre a enchente porque as monitoras e campistas não tinham permissão para levar seus dispositivos consigo.
Não está claro se o plano de emergência do acampamento levou em conta as falhas de comunicação.
Algumas das cabanas em que as campistas estavam hospedadas estão localizadas nas "faixas de inundação regular" do rio Guadalupe – as áreas que inundam primeiro e são mais perigosas – de acordo com mapas federais.
Outras cabanas estão localizadas em uma área que o governo federal determinou que tem 1% de chance de inundação a cada ano.
Mas os regulamentos do Texas para acampamentos de jovens não dizem nada sobre zonas de enchente, e os registros estaduais não mostram as inspeções anuais do Camp Mystic levando isso em consideração.


