Acordo de petróleo exige governo sério, diz opositora de Maduro
María Corina Machado criticou o pacto firmado pelo que classifica como "regime ilegítimo" da Venezuela

A líder opositora venezuelana María Corina Machado fez, nesta quinta-feira (3), seu primeiro pronunciamento sobre o acordo petrolífero anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Ela questionou o fato de que o pacto para a exploração de poços seja firmado por um “regime ilegítimo”, em referência às autoridades chavistas.
A ex-deputada, que permanece fora do país desde dezembro, ressaltou o caráter estratégico da parceria anunciada entre Washington e Caracas e afirmou que, por essa razão, “todos precisamos que as coisas sejam feitas da maneira correta”, para garantir investimentos sustentados no longo prazo, sob condições de rentabilidade e segurança.
“Tudo isso exige um trabalho contínuo baseado nos princípios inegociáveis de transparência absoluta, legalidade e eficiência. E isso só é possível com a legitimidade e a estabilidade oferecidas por um governo sério e democrático”, afirmou a vencedora do Prêmio Nobel da Paz em um vídeo divulgado em suas redes sociais.
Machado afirmou que os Estados Unidos são “o principal parceiro de que a Venezuela precisa para desenvolver plenamente seu valor estratégico”, mas considera que o chavismo não é o interlocutor adequado. “Os inimigos dos Estados Unidos na Venezuela estão hoje em Miraflores”, afirmou, em referência ao palácio presidencial venezuelano.
A líder opositora declarou que os anúncios dos últimos dias geraram “uma profunda preocupação pelas implicações que isso tem para o futuro de nosso país” e disse a seus seguidores: “Sei o que vocês estão sentindo: tristeza, raiva, esse mal-estar tão recorrente em nossa história porque alguém decide sobre o que é nosso, em nosso nome, sem contar conosco”.
“O patrimônio de nosso solo não pertence a um regime ilegítimo, pertence ao povo venezuelano”, acrescentou. A oposição, que rejeita os resultados proclamados pelas autoridades eleitorais das eleições de 2024, que deram a vitória a Nicolás Maduro, apresentou na ocasião atas que, segundo seus argumentos, demonstram que o candidato Edmundo González venceu a votação. Maduro foi capturado em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas em janeiro passado e Delcy Rodríguez assumiu desde então como presidente interina.
“A Venezuela vale muito mais do que seu petróleo. O verdadeiro valor da Venezuela é seu povo, que, pelas boas vias, é o melhor parceiro do planeta e que jamais colocará à venda nossa liberdade nem a de nosso país.”
Na mensagem de sete minutos, Machado relembrou o plano energético que apresentou em março, durante uma conferência em Houston, baseado em cinco pilares: um marco legal transparente, instituições técnicas, licitações públicas e abertas, um regime fiscal competitivo e estável e segurança jurídica e arbitragem internacional.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, assinaram em 31 de agosto um acordo com a empresa venezuelana North American Blue Energy Partners (NABEP) para desenvolver 17 campos de petróleo com potencial de cerca de 65 bilhões de barris de petróleo bruto. O presidente Trump classificou o acordo como “histórico”. O pacto permitirá aos Estados Unidos comprar 20% da produção a preços de custo.
Na quarta-feira (2), o presidente declarou à imprensa que a Venezuela “ainda não está preparada” para realizar eleições, embora espere que elas ocorram “em breve”, e afirmou que mantém uma “ótima relação” com o governo de Delcy Rodríguez. “Ela está fazendo um trabalho muito, muito bom, é muito respeitada”, acrescentou.
Machado ressaltou que a parceria petrolífera deve beneficiar “os venezuelanos, os Estados Unidos, as empresas, os investidores, os mercados e os trabalhadores” e ser desenvolvida sob “os princípios inegociáveis de transparência absoluta, legalidade e eficiência”.



