Acordo Irã-Omã poderia ajudar a retomar negociações com EUA, diz Catar
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catari afirmou que um eventual tratado sobre o Estreito de Ormuz poderia facilitar as conversas entre Washington e Teerã

O Catar afirmou nesta terça-feira (18) que um acordo envolvendo Omã e Irã sobre o Estreito de Ormuz "facilitaria muito" a retomada das negociações entre os EUA e o Irã.
Falando a jornalistas em Doha, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, disse também que o Irã e o Catar mantinham contato direto sobre a questão dos pilotos iranianos.
Ele acrescentou que um pedido iraniano para o envolvimento do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) na questão não passava de uma "manobra midiática" e que o convite para a visita de uma delegação iraniana continuava de pé, mas Doha não havia recebido resposta.
Uma autoridade militar iraniana disse no domingo (16) que o Catar deveria permitir a entrada de uma equipe iraniana no país para investigar o destino de pilotos que, segundo Teerã, foram capturados por forças catarianas, informou a mídia iraniana.
O Catar nega manter pilotos iranianos sob custódia. Al-Ansari reiterou a declaração feita por Doha no sábado (15), afirmando que suas equipes de busca e resgate haviam encontrado os restos mortais de um piloto após uma aeronave iraniana violar o espaço aéreo do Catar em março e não responder às tentativas de contato.
Mohammad Baqerzadeh, comandante do Comitê de Busca de Pessoas Desaparecidas do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, disse que um especialista da Força Aérea iraniana e uma equipe de investigação aguardavam há meses permissão para entrar no Catar, segundo a agência de notícias semioficial Tasnim.
Baqerzadeh acusou autoridades catarianas de atrasar repetidamente a investigação e impedir o retorno dos pilotos ao Irã. Ele pediu que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha acompanhasse o caso com urgência.
Os avanços visíveis nas negociações de paz e a retomada do tráfego de petroleiros pelo estratégico Estreito de Ormuz estagnaram, ameaçando prolongar o conflito iniciado pelos Estados Unidos e por Israel com ataques ao Irã em 28 de fevereiro.


