Agência da ONU confirma danos à usina nuclear de Natanz, no Irã

Órgão de fiscalização acrescentou que não espera consequências radiológicas nem identificou impacto adicional na própria instalação

Kanjyik Ghosh, François Murphy, da Reuters
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A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização nuclear da ONU, informou nesta terça-feira (3) que houve danos recentes a edifícios de acesso da usina subterrânea de enriquecimento de combustível de Natanz (FEP), no Irã.

A agência acrescentou que não espera consequências radiológicas nem identificou impacto adicional na própria instalação.

As entradas da usina subterrânea de enriquecimento de urânio do Irã em Natanz, anteriormente bombardeada, foram atingidas como parte dos ataques militares dos EUA e de Israel ao país.

A FEP é uma das três usinas de enriquecimento de urânio do Irã que se sabe que estavam em operação quando Israel e Estados Unidos realizaram ataques às instalações nucleares iranianas em junho passado.

“Com base nas últimas imagens de satélite disponíveis, a AIEA pode agora confirmar alguns danos recentes nos edifícios de entrada da usina subterrânea de enriquecimento de combustível de Natanz, no Irã”, disse a Agência Internacional de Energia Atômica no X.

“Não se espera nenhuma consequência radiológica e nenhum impacto adicional foi detectado na própria FEP, que foi severamente danificada no conflito de junho”, acrescentou.

A conclusão da AIEA coincide com a do think tank norte-americano Instituto para a Ciência e a Segurança Internacional, publicada na segunda-feira, depois de o Irã ter afirmado que Natanz foi atingida no domingo e a AIEA ter respondido que quaisquer ataques militares não foram significativos.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.

O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.

Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a "ofensiva mais pesada" da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um "direito e dever legítimo".

Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo "é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista". As agressões entre as partes seguem neste domingo.

Na véspera, Trump já havia afirmado que os ataques contra o Irã vão continuar "ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!".

*Com informações da CNN Internacional