Agenda anti-Putin une população russa que está no exterior, avalia pesquisadora
Svetlana Ruseishvili explicou à CNN Rádio que, historicamente, diáspora russa sempre foi muito segmentada politicamente

A agenda anti-regime de Vladimir Putin e contra a guerra na Ucrânia é um fator que vem unindo a população russa que mora no exterior, na avaliação da socióloga e pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos, Svetlana Ruseishvili.
Ela, que é russa, imigrante no Brasil e tem família na Ucrânia, contou, em entrevista à CNN Rádio, que cresceu em Kiev, mas nasceu na diáspora russa, na Geórgia.
Sobre o conflito, Svetlana acredita que se trata de “uma invasão injustificável com o objaetivo de perseguir objetivos imperialistas de Putin, para reconquistar as antigas repúblicas que faziam parte da União Soviética.”
A especialista explicou que, historicamente, a diáspora russa – que é a comunidade global de russos étnicos – “sempre foi muito segmentada” politicamente.
“Ela se formou como consequência da tomada de poder bolchevique, todos os partidos foram para o exílio e as brigas continuaram, algo parecido acontece com a diáspora contemporânea.
”A Rússia é o terceiro país do mundo pelo tamanho de sua diáspora. De acordo com Svetlana, a união só se deu após 2014, com a anexação da Crimeia.
“A partir dessa data, alguns setores da diáspora começaram a se unir em torno dessa agenda anti-regime de Putin.”
“Neste mesmo ano de 2014 começa mais um fluxo de emigração, da saída dos russos, por causa das perseguições, das leis repressivas, contra ativistas e imprensa, acho que esse setor que se opõe a Putin está se fortalecendo, a agenda de se manifestar e anti-Putin contra a guerra é um fator que une não a diáspora como um todo, mas um setor importante dos russos que estão no exterior.”
Outro fator que explica a ruptura dentro da sociedade russa, de acordo com Svetlana, é a questão geracional.


