Alerta de calor na Europa: Temperaturas devem subir na próxima semana

Luca Mercalli, presidente da Sociedade Meteorológica Italiana, afirmou que países como França, Espanha, Alemanha, Itália, Suíça e Reino Unido serão afetados

Aleksandar Vasovic e Gavin Jones, da Reuters
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Países no sudeste da Europa sentiram nesta segunda-feira (29) o impacto da onda de calor recorde que causou centenas de mortes e interrompeu a vida cotidiana em todo o continente por mais de uma semana, com crescentes preocupações sobre a propagação de incêndios florestais.

Também houve um alerta de que o calor provavelmente voltará a aumentar a partir do início da próxima semana em países como França e Alemanha, que foram os mais afetados nos últimos dias.

Na Croácia, o serviço meteorológico emitiu um alerta vermelho nesta segunda-feira (29) para regiões que incluem a capital Zagreb e os destinos turísticos de Split e Dubrovnik.

Dezenas de bombeiros, auxiliados por quatro aeronaves, combateram um incêndio florestal que consumia florestas de pinheiros na ilha turística de Vis, no Mar Adriático, no mar do Mediterrâneo, a cerca de 55 km a sudoeste de Split.

Na vizinha Sérvia, o RHMZ (Serviço Hidrometeorológico Estatal) alertou que as temperaturas poderão atingir os 39 °C nesta segunda-feira (29).

Mais ao sul, na Albânia, um incêndio florestal consumiu muitos hectares de arbustos e oliveiras perto da vila de Klos, no sul do país, durante o fim de semana.

Cientistas afirmaram que a onda de calor, que começou em 20 de junho, foi a pior já registrada na Europa, e as condições extremas interromperam a geração de energia, danificaram infraestruturas e sobrecarregaram os sistemas de saúde.

A França registrou mil mortes em excesso durante a onda de calor. A agência francesa de saúde pública afirmou que a maioria das fatalidades relacionadas ao calor envolveu idosos e alertou que o número deve aumentar.

A onda de calor teria sido "praticamente impossível" sem as mudanças climáticas causadas pelo homem, que tornaram as temperaturas noturnas altíssimas desta semana cem vezes mais prováveis ​​do que seriam há apenas duas décadas, segundo cientistas.

O calor voltará a aumentar

Luca Mercalli, presidente da Sociedade Meteorológica Italiana, afirmou que as temperaturas devem subir novamente entre os dias 5 e 6 de julho.

"As áreas afetadas são, em sua maioria, as mesmas da primeira onda, incluindo França, Espanha, Alemanha, Itália, Suíça e, em certa medida, o Reino Unido", disse ele à agência de notícias Reuters.

"Com o calor extremo, o risco de incêndios florestais aumenta, mas também estamos vendo muitas tempestades, o que, obviamente, atenua esse risco", acrescentou, observando que as tempestades são muito localizadas, portanto, os volumes de chuva podem variar bastante.

Outras tragédias relacionadas ao calor foram relatadas no fim de semana.

Ao menos dois meninos búlgaros, de 8 e 10 anos, foram encontrados mortos dentro de um carro quente no Chipre, na tarde de domingo (28), informou a polícia.

O Chipre está atualmente com temperaturas em torno de 38°C, o que não é considerado uma onda de calor para esta época do ano na ilha do Mediterrâneo oriental.

Outros dois ciclistas, um de 30 anos e outro de 71, morreram enquanto participavam de uma etapa da série Poland Bike Marathon em Marki, perto de Varsóvia, no domingo (28).

As temperaturas na Polônia atingiram um novo recorde no domingo (28), chegando a 40,5°C.