Análise: Desastre na Venezuela coloca relação com os EUA à prova
Antes dos terremotos, presidente dos EUA afirmava que o país ia "muito bem", apesar da grave crise humanitária e econômica

Os terremotos de quarta-feira (24) vão colocar à prova até onde os Estados Unidos estão dispostos a ir para apoiar a Venezuela, um país que, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, ele passaria a “governar” após derrubar de forma drástica seu líder autoritário, Nicolás Maduro, em janeiro passado.
Naquele momento, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que a Casa Branca tinha um plano de três fases para a Venezuela: estabilização, recuperação e transição.
Desde então, Trump tem se gabado do sucesso da intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e de sua improvável aliança com a presidente interina Delcy Rodríguez.
Apenas um dia antes de os terremotos mortais atingirem a Venezuela, Trump declarou em um comício na Pensilvânia que o país estava indo “muito bem”.
“Nós nos damos muito bem. Quem o governa são pessoas nossas, pessoas excelentes. E a população está feliz; você vê eles sorrindo. Antes viviam na miséria, passavam fome”, disse Trump.
Trump também afirmou que os Estados Unidos já haviam “pago 28 vezes o custo da guerra” por meio da extração de milhões de barris de petróleo. “Agora estamos ganhando muito dinheiro com a Venezuela e a Venezuela está indo muito bem”.
A visão otimista de Trump já estava bem distante da realidade no país, onde cerca de 28 milhões de habitantes da Venezuela continuavam lidando com alta inflação, baixos salários, censura e uma profunda crise humanitária.
No entanto, o desastre de quarta-feira, que causou destruição generalizada, especialmente na capital, Caracas, provavelmente levará o país a uma instabilidade econômica e política ainda maior.
Trump declarou que os Estados Unidos estão “prontos, dispostos e capazes de ajudar” em uma publicação feita na noite de quarta-feira na Truth Social.
“Dei instruções a todas as agências do nosso governo para se prepararem e agirem rapidamente”, escreveu Trump. “Estaremos lá para nossos novos e grandes amigos”.
Resta saber até onde esse compromisso irá e se os Estados Unidos ajudarão a Venezuela a alcançar a estabilidade e o crescimento econômico prometidos.



