Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Análise: Netanyahu enfrenta pressão de todos os lados para acordo sobre reféns

    Pesquisas apontam que a popularidade do primeiro-ministro israelense continua caindo à medida que o confronto se aprofunda

    Manifestantes reúnem-se por 24 horas na "Praça dos Reféns", apelando à libertação dos reféns israelenses em Gaza
    Manifestantes reúnem-se por 24 horas na "Praça dos Reféns", apelando à libertação dos reféns israelenses em Gaza 13/01/2024REUTERS/Alexandre Meneghini

    Elliott Gotkineda CNN

    O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o Hamas não concordam em muita coisa. Mas concordam em duas coisas: primeiro, ambos rejeitam uma solução de dois Estados; e segundo, quando se trata de um acordo para trazer de volta os mais de 100 reféns raptados pelo Hamas em 7 de Outubro, ambos os lados querem que valham os seus interesses.

    O Hamas exige que Israel retire todas as suas tropas de Gaza e liberte um grande número de prisioneiros palestinos detidos em prisões israelenses. Netanyahu respondeu na terça-feira (30): “Não retiraremos as Forças de Defesa de Israel (FDI) da Faixa de Gaza e não libertaremos milhares de terroristas. Nada disso acontecerá. O que vai acontecer? Vitória total.”

    É provável que ambos fiquem desapontados. Os negociadores teriam concordado com uma “estrutura” para um acordo. A primeira fase seria uma pausa de seis semanas nos combates, durante a qual os reféns civis seriam libertados; três prisioneiros palestinos seriam libertados para cada um dos reféns. Uma proporção mais elevada seria aplicada em fases posteriores, quando os soldados das FDI e os corpos dos reféns mortos fossem libertados, talvez juntamente com uma trégua mais longa.

    No entanto, quaisquer que sejam os contornos de um acordo final, não existem boas opções para Netanyahu. Por um lado, as famílias dos reféns – especialmente as mulheres que podem ter sido abusadas sexualmente em cativeiro – o pressionam a fazer o que for necessário para trazê-los todos para casa.

    Do outro lado estão os seus parceiros de coligação de extrema-direita; Itamar Ben Gvir, o incendiário Ministro da Segurança Nacional, disse na terça-feira que derrubaria o governo se este concordasse com um acordo “imprudente” com o Hamas.

    Para Netanyahu, isto é um problema. A última pesquisa do Canal 12 de Israel descobriu que sua popularidade continuava a cair; as eleições muito provavelmente o veriam expulso do cargo. Para evitar prejudicar ainda mais as suas perspectivas, o primeiro-ministro de Israel terá notado que a mesma pesquisa concluiu que 50% dos israelenses se opõem a um acordo de reféns que implicaria uma trégua de 45 dias e a libertação de milhares de prisioneiros palestinos, enquanto 38% eram a favor.

    No entanto, mesmo sem Ben Gvir e o Ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, Netanyahu ainda teria os números no gabinete para conduzir um acordo de reféns. E mesmo que não o fizesse, o líder da oposição Yair Lapid diz que interviria para apoiar o primeiro-ministro nesta questão.

    Muitas coisas ainda podem acontecer para anular um acordo de reféns: a retaliação dos EUA a um ataque mortal com drones por parte de milícias apoiadas pelo Irã é uma de muitas (o Irã também é financiador do Hamas). Mas o otimismo de que um acordo poderia ser fechado nunca foi tão grande. Talvez o Hamas e Israel encontrem outra coisa em que concordem?

    Este conteúdo foi criado originalmente em Internacional.

    versão original