Análise: Por que o Paquistão pode ser local ideal para negociações EUA-Irã

País emergiu como importante mediador e apresentou proposta de cessar-fogo que foi aceita pelos dois lados

Sophia Saifi, da CNN, Islamabad
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O Paquistão emergiu como um importante mediador entre os Estados Unidos e o Irã nas últimas semanas — com o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif apresentando o plano de cessar-fogo ao presidente dos EUA, Donald Trump, no final da terça-feira, com o qual os dois lados do conflito concordaram.

Em seguida, Sharif convidou delegações dos EUA e do Irã para Islamabad para novas conversas na sexta-feira (10). Fontes americanas também disseram à CNN que o governo Trump está se preparando para possíveis negociações presenciais, provavelmente em Islamabad.

Há várias razões pelas quais o Paquistão seria um local ideal para uma reunião. O país compartilha uma longa fronteira com o Irã, além de laços culturais e religiosos, e abriga a maior população de muçulmanos xiitas fora do Irã.

Diferentemente dos países islâmicos do Golfo, o Paquistão não hospeda bases militares dos EUA e não foi alvo de mísseis e drones iranianos. O Irã também permitiu que alguns de seus navios atravessassem o bloqueio ao Estreito de Ormuz.

Islamabad também voltou a ser um parceiro importante dos EUA durante o segundo mandato de Trump, em parte graças ao grande volume de terras raras e minerais críticos que afirma possuir, o que despertou interesse em Washington.

Trump também desenvolveu uma relação próxima com o chefe de seu poderoso exército, Asim Munir, com quem se encontrou várias vezes e a quem se refere como seu “marechal de campo favorito”.

O Paquistão também tem seus próprios incentivos para a desescalada, dada sua dependência de suprimentos energéticos do Oriente Médio.

Vários outros países, incluindo Egito, Turquia e Arábia Saudita, também atuaram como mediadores entre os países em conflito.

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