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    Análise: por que os EUA passaram a detectar objetos voadores misteriosos?

    Caças da força aérea americana abateram ao menos três Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) nos últimos dias

    Flagra de um OVNI; fenômenos costumam ser identificados principalmente pela Marinha americana
    Flagra de um OVNI; fenômenos costumam ser identificados principalmente pela Marinha americana Departamento de Defesa dos EUA

    Zachary B. Wolfda CNN

    Aparentemente, a lição que os militares estão aprendendo é que, se você procurar por fenômenos aéreos não identificados, você os encontrará flutuando nos céus dos Estados Unidos.

    Nos dias após o furor sobre o balão chinês ter levado as autoridades a ajustar como monitoram o espaço aéreo dos EUA, caças interceptaram e abateram objetos sobre os céus do Alasca, norte do Canadá e Lago Huron.

    Esse termo – “objetos” – é deliberadamente vago em relação aos três objetos derrubados desde sexta-feira (10). Atualmente, ninguém sabe o que são essas coisas ou a quem pertencem.

    Nem alienígena, nem ameaçador

    “Não acho que o povo americano precise se preocupar com alienígenas em relação a essas naves. Ponto final. Não há mais nada a ser dito sobre isso”, disse John Kirby, coordenador do Conselho de Segurança Nacional para comunicações estratégicas, em um briefing na Casa Branca na segunda-feira (13).

    Ele também sugeriu que os objetos abatidos não representavam uma ameaça imediata, não estavam enviando sinais de comunicação, não mostravam sinais de “manobra ou tinham qualquer capacidade de propulsão” e não eram tripulados.

    Sob escrutínio pela falta de comentários públicos do presidente Joe Biden, o governo agora está trabalhando para parecer engajado. O conselheiro de segurança nacional Jake Sullivan deve liderar uma nova “equipe interagências” para avaliar os fenômenos aéreos.

    O que sabemos sobre os três últimos objetos

    Natasha Bertrand, da CNN, detalhou as descrições desses últimos objetos:

    Os interceptados no Alasca e no norte do Canadá tinham características semelhantes a balões com pequenos objetos cilíndricos de metal presos, e estavam voando a cerca de 40.000 pés.

    O objeto caído sobre o Lago Huron no domingo (12), detectado pela primeira vez em Montana no dia anterior, era diferente: uma forma octogonal com cordas penduradas e viajando a 20.000 pés sobre a península superior do Michigan.

    Os militares decidiram derrubar os objetos porque naquelas altitudes eles poderiam representar uma ameaça para aeronaves civis.

    EUA mudaram sua “filtragem” e começaram a ver objetos

    Bertrand também descreveu como os militares ajustaram seus protocolos e começaram a perceber esses objetos adicionais:

    Uma razão pela qual “objetos” adicionais foram detectados pelo Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (Norad, na sigla em inglês) nos últimos dias pode ser porque o comando reajustou recentemente seus filtros para detectar melhor alvos em movimento lento operando acima de uma certa altitude, afirmou uma fonte à CNN.

    Os filtros só foram reajustados e ampliados na semana passada, disse a fonte, depois que um balão espião chinês de alta altitude transitou pelos EUA e iniciou um debate sobre a capacidade do país de detectar e se defender contra qualquer objeto potencialmente ameaçador que entre em seu espaço aéreo.

    Centenas de relatos de fenômenos aéreos desde 2021

    A entrevista mais informativa que vi na segunda-feira foi aquela que John King, da CNN, conduziu com a ex-vice-diretora de inteligência nacional Beth Sanner, que agora é membro sênior do Belfer Center for Science and International Affairs da Universidade de Harvard.

    Ela observou que o diretor de inteligência nacional no mês passado relatou ao Congresso 247 novos relatórios documentados de fenômenos aéreos não identificados desde março de 2021 e outros 119 relatórios anteriores ao período.

    Cerca de metade do total são “caracterizados como balões ou entidades semelhantes a balões”. Outros agem mais como drones. E alguns parecem ser nada mais do que “detritos transportados pelo ar, como sacolas plásticas”.

    Aqui estão alguns trechos importantes do que Sanner disse a King.

    É importante que esses relatórios sejam levados a sério

    SANNER: Houve muita discussão quando começamos a olhar para isso em 2021, que eram alienígenas. E acho que, desde então, as pessoas meio que recuaram e disseram, sabe, a maioria dessas coisas provavelmente pode ser explicada. Mas para mim, essas histórias realmente se encaixam, certo?

    Porque as coisas que os pilotos têm visto – e muitas vezes foram desencorajados a falar, havia um estigma nisso – eles poderiam muito bem ser espiões ou outros tipos de ameaças. Portanto, é importante divulgar essas coisas.

    Não podemos derrubar todos os objetos

    SANNER: Não temos o interesse ou a capacidade de continuar disparando os F-22 toda vez que vemos um objeto no céu. Portanto, agora temos que realmente nos concentrar e dizer: “Como identificamos coisas que são ameaças reais?”

    Temos ignorado esses tipos de ameaças, se é isso que elas são

    SANNER: Essas coisas não são tão difíceis de fazer. São de baixa tecnologia. E traz à tona nossas vulnerabilidades, na verdade. A defesa dos Estados Unidos foi negligenciada por décadas, em termos desse tipo de ameaça aérea, ameaça de mísseis de cruzeiro.

    Investimos em defesa contra mísseis balísticos, mas não nisso. E então, isso pode ser um segredo para todos nós, mas não é para os militares dos EUA, e o governo Biden realmente colocou dinheiro no orçamento este ano para começar a olhar para isso.

    Mas temos uma grande lacuna. Temos uma lacuna geográfica – estamos realmente focados apenas em qualquer coisa que venha do Polo Norte. Mas se algo aparecer no sul do Alasca, talvez não o vejamos.

    E então temos essa lacuna tecnológica, em termos de que a maioria dos nossos radares é da década de 1980. E então, é aí que a filtragem – é porque nossos processadores, literalmente aqueles que estão ligados aos radares – não conseguem examinar tanto material. E então tivemos que filtrá-lo para identificar ameaças que se parecem com coisas que reconhecemos como ameaças.

    China acusa os EUA de lançar balões sobre seu território

    SANNER: Estamos em um momento de mentiras aqui. Sabe, acho que os chineses vão inventar coisas para cobrir seus próprios rastros.

    Mas dito isso, nós espiamos. E esta é outra forma de espionagem. Portanto, temos que ter muito cuidado com o quão indignados ficamos com o que fazemos. Mas não acredito que enviemos balões dessa natureza sobre o território chinês.

    Paciência necessária para identificar esses objetos

    Pode levar algum tempo para descobrir o que eram esses objetos, de acordo com Andrew McCabe, analista sênior de aplicação da lei da CNN e ex-vice-diretor do FBI.

    “Alguns deles estão caindo em lugares mais difíceis de alcançar do que outros”, disse McCabe a Kate Bolduan, da CNN, na segunda-feira. “Então esses materiais devem ser transportados de volta para a Virgínia, para o laboratório do FBI em Quantico.

    “Então os parceiros certos, sejam parceiros internacionais ou pesquisadores aqui dos Estados Unidos, têm que ser reunidos para participar do que chamamos de exploração dessa tecnologia, dos equipamentos.

    “Tudo isso leva tempo. Não tenho dúvidas de que entenderemos todo o escopo do que essas coisas são e do que elas são capazes, mas pode não ser rapidamente.”

    Rápido no gatilho

    Embora tenha havido muitas críticas ao governo Biden por não se comunicar sobre esses incidentes de forma mais eficaz, há apoio bipartidário para derrubar os objetos.

    “Eu preferiria que eles fossem rápidos no gatilho do que permissivos, mas teremos que ver se isso é ou não apenas o governo tentando mudar as manchetes”, disse o presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, deputado Mike Turner, de Ohio, à CNN, antes do abatimento.

    “O que eu acho que isso mostra, o que provavelmente é mais importante para nossa discussão política aqui, é que realmente temos que declarar que vamos defender nosso espaço aéreo. E então precisamos investir”, acrescentou Turner.

    “Isso mostra alguns dos problemas e lacunas que temos. Precisamos preenchê-los o mais rápido possível, porque agora certamente verificamos que há uma ameaça.”

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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