Após 11 anos, crise de deslocamento forçado na Síria ainda é a maior do mundo, diz ACNUR
Porta-voz da agência pediu urgentemente soluções políticas para "acabar com 11 anos de sofrimentos" e que as consequências do conflito no Oriente Médio não sejam esquecidas

A guerra na Ucrânia gerou um alerta para mais uma crise de refugiados e deslocados no mundo. De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), mais de 3 milhões de pessoas já deixaram o país.
Porém, um outro conflito armado tem efeitos até hoje: a guerra civil na Síria, que começou em 2011 e fez com que mais de 13 milhões de pessoas fugissem ou ficassem deslocadas dentro do país, ainda segundo a ACNUR.
O termo "deslocado" se refere a "pessoas deslocadas dentro de seu próprio país, pelos mesmos motivos de um refugiado, mas que não atravessaram uma fronteira internacional para buscar proteção". São 6,9 milhões de pessoas nessa condição no território sírio, além de 5,6 milhões que se refugiaram em países vizinhos.
Além disso, 14,6 milhões precisam de ajuda humanitária ou outros tipos de assistência.
Assim, o porta-voz da ACNUR, Boris Cheshirkov, pediu urgentemente, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (15), soluções políticas para "acabar com 11 anos de sofrimentos" e que as consequências deste conflito no Oriente Médio não sejam esquecidas.
"A ACNUR pede aos doadores internacionais que estendam o apoio aos refugiados e seus anfitriões e atendam às necessidades humanitárias urgentes dentro da Síria, inclusive para os deslocados internos, suas comunidades anfitriãs e retornados", disse.
No ano passado, a agência recebeu menos da metade do financiamento necessário para o Plano Regional de Refugiados e Resiliência para responder à crise de refugiados na Síria. O órgão da ONU tem apenas 7% do valor necessário para o trabalho deste ano no país - que totalizaria US$ 465,2 milhões.
Sírios enfrentam a pobreza
Em 2021, três quartos de todas as famílias do país disseram não conseguir atender às suas necessidades mais básicas – 10% a mais do que no ano anterior.
Segundo a agência, ainda assim é registrado um movimento de retorno ao país, com 36 mil pessoas tendo voltado ao território sírio em 2021.
A ONU alerta que os países em que estas pessoas estão se refugiando estão sofrendo forte impacto econômico devido à pandemia da Covid-19, o que afeta também quem foi acolhido: a maioria dos refugiados sírios vive na pobreza. No Líbano, 90% estão na extrema pobreza.
A Turquia continua a abrigar a maior população de refugiados do mundo, incluindo mais de 3,7 milhões de sírios, enquanto o Líbano e a Jordânia estão entre os países com o maior número de refugiados per capita globalmente.


