Após morte de El Mencho, cartéis espalham fake news para assustar população
Relatos falsos de violência se espalharam nas redes sociais em contas ligadas a integrantes do crime organizado

Depois que as forças mexicanas mataram "El Mencho", o líder do cartel mais procurado do país, relatos falsos de violência se espalharam pelas redes sociais, alimentados pelo que pesquisadores dizem que foi uma campanha de propaganda coordenada pelo crime organizado.
De fato, ocorreram distúrbios em muitas partes do México. Partidários de El Mencho, que comandava o Cartel Jalisco Nova Geração, montaram barricadas, incendiaram ônibus e lojas, e atacaram postos de gasolina em represália ao assassinato.
Mas na internet, a situação parecia ainda pior. Entre as notícias falsas, haviam informações de que o aeroporto de Guadalajara teria sido tomado por assassinos; um avião estaria em chamas na pista; e fumaça saia de uma igreja e de vários prédios na cidade de Puerto Vallarta, popular entre os turistas.
Essas imagens, que foram analisadas pela Reuters, eram falsas, mas foram compartilhadas milhares de vezes.
Especialistas afirmaram que, no caso do assassinato de El Mencho, as notícias falsas foram disseminadas em uma velocidade surpreendente, não apenas por usuários desavisados, mas também, em alguns casos, pelo próprio cartel.
Essa disseminação foi um esforço para fazer com que a onda de violência retaliatória parecesse maior e mais assustadora do que realmente era.
"Eles estão tentando mostrar que o governo mexicano não tem controle sobre o país", disse Jane Esberg, professora assistente da Universidade da Pensilvânia, que estudou como os grupos criminosos mexicanos usam as redes sociais.
Ela acrescentou que essa estratégia ajudou a criar uma narrativa de que o cartel tinha presença em todo o país, mas dificultou a avaliação da dimensão da violência e dos desafios enfrentados pelas forças de segurança.
Questionado por um repórter sobre contas de redes sociais ligadas a cartéis que divulgam notícias falsas, o secretário de Segurança do México, Omar García Harfuch, disse que as autoridades já haviam identificado "diversas contas".
Harfuch também afirmou que as autoridades fariam uma investigação mais aprofundada para determinar quais das contas têm "relações diretas com um grupo do crime organizado".
Ele acrescentou que existem outras contas "dedicadas a espalhar mentiras", mas que não possuem nenhuma ligação comprovada com o crime.
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum afirmou que as autoridades estavam agindo rapidamente para refutar a desinformação e que havia "muitas, muitas notícias falsas" circulando após o assassinato de El Mencho.


