Após terremotos, Venezuela pede ao rei Charles liberação de ouro bloqueado

Presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou que enviou uma carta ao monarca britânico para usar reservas para cobrir os custos da recuperação dos tremores

Gonzalo Zegarra, da CNN
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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na quarta-feira (8) que enviou uma carta ao rei britânico Charles III pedindo a liberação do ouro venezuelano retido no Banco da Inglaterra para que possa ser usado para cobrir os custos da recuperação após os terremotos que deixaram milhares de mortos e desabrigados no país.

“Esse ouro pertence ao nosso povo e deve ser usado para lidar com as terríveis e trágicas consequências deste duplo terremoto”, disse ela em um pronunciamento no canal estatal de televisão VTV.

“A Venezuela tem os recursos para se recuperar e reconstruir”, afirmou.

A presidente interina também afirmou ter conversado por telefone com a diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, solicitando a liberação dos fundos da Venezuela mantidos por aquela organização.

O país sul-americano reivindica há anos o acesso às 31 toneladas de barras de ouro depositadas no Banco da Inglaterra, cujo acesso foi negado por tribunais britânicos a Caracas por não reconhecerem Nicolás Maduro como presidente.

Além disso, a Venezuela possui 3,568 bilhões de DES (Direitos Especiais de Saque) no FMI, o que equivale a cerca de US$ 5,1 bilhões (R$ 26,2 bilhões).

“A partir daqui, reitero um apelo que não cessamos: o fim das sanções e do bloqueio contra a Venezuela. A Venezuela tem recursos bloqueados em todo o mundo, recursos esses que seriam necessários para lidar com esse processo de reconstrução e recuperação”, disse Rodríguez.

Os números oficiais atualizados na quarta-feira indicam que os terremotos deixaram 3.811 mortos, mais de 16.000 feridos e quase 18.000 pessoas desabrigadas.

O governo não divulgou uma estimativa do número de desaparecidos.

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