Arquivos Epstein: Veja autoridades europeias citadas nos documentos

Divulgações geraram investigações e até renúncias na Europa; ser citado nos Arquivos Epstein não indica, necessariamente, atividade criminosa

Hugo Lhomedet e Jerome Terroy, da Reuters
Bilionário Jeffrey Epstein em Cambridge, Massachusetts, em 8 de setembro de 2004
Bilionário Jeffrey Epstein em Cambridge, Massachusetts, em 8 de setembro de 2004  • Rick Friedman/Rick Friedman Photography/Corbis via Getty Images
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A divulgação de milhões de documentos relacionados a Jeffrey Epstein, magnata condenado por abuso sexual, expôs as ligações do falecido magnata com figuras europeias dos setores empresarial, acadêmico, governamental e da realeza.

Epstein, que morreu por suicídio em 2019 em uma cela de prisão em Manhattan enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual, explorou sua riqueza e conexões para cultivar relacionamentos com figuras proeminentes em todo o mundo ao longo de décadas.

Muitas dessas conexões continuaram mesmo após sua condenação, em 2008, por acusações de prostituição envolvendo uma menor de idade.

Veja abaixo algumas autoridades e ex-autoridades europeias que tiveram nomes citados nos Arquivos Epstein. De toda forma, é necessário ressaltar que ter seu nome nos arquivos não indica, necessariamente, atividade criminosa.

Andrew Mountbatten-Windsor

Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do Rei Charles, foi forçado a deixar sua mansão na propriedade real em Windsor após revelações sobre sua ligação com Epstein.

Em outubro, após divulgação anterior de documentos, o rei Charles retirou o título de príncipe de Andrew, uma das punições mais drásticas aplicadas a um integrante da realeza na história britânica moderna.

Além disso, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, convocou Mountbatten-Windsor, em 31 de janeiro, para depor perante uma comissão do Congresso dos EUA.

Fotografia parece mostrar o Príncipe Andrew com a acusadora de Jeffrey Epstein • Reprodução CNN Brasil
Fotografia parece mostrar o Príncipe Andrew com a acusadora de Jeffrey Epstein • Reprodução CNN Brasil

A polícia também afirmou estar analisando alegações de que uma mulher foi levada a um endereço em Windsor para fins sexuais em 2010.

Na segunda-feira (9), o palácio de Buckingham declarou que também apoiaria qualquer investigação policial sobre Andrew, após e-mails sugerirem que ele poderia ter compartilhado documentos comerciais britânicos confidenciais com Jeffrey Epstein.

Mountbatten-Windsor, de 65 anos, sempre negou qualquer irregularidade relacionada a Epstein.

Mette-Marit, princesa herdeira da Noruega

Os arquivos mais recentes mostram correspondências por e-mail entre a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, de 52 anos, e Epstein, após ele ter sido considerado culpado, em 2008, por aliciar uma menor de idade para prostituição.

O nome dela aparece centenas de vezes e, em 2012, ela chamou Epstein de "querido", "de bom coração" e "muito charmoso".

O príncipe Sverre Magnus da Noruega, a princesa herdeira Mette-Marit da Noruega, a princesa Ingrid Alexandra da Noruega, o príncipe herdeiro Haakon da Noruega, a rainha Sonja da Noruega e o rei Harald da Noruega assistem ao desfile infantil no Castelo Real, no Dia Nacional da Noruega, em 17 de maio de 2022, em Oslo, Noruega • Per Ole Hagen/Getty Images
O príncipe Sverre Magnus da Noruega, a princesa herdeira Mette-Marit da Noruega, a princesa Ingrid Alexandra da Noruega, o príncipe herdeiro Haakon da Noruega, a rainha Sonja da Noruega e o rei Harald da Noruega assistem ao desfile infantil no Castelo Real, no Dia Nacional da Noruega, em 17 de maio de 2022, em Oslo, Noruega • Per Ole Hagen/Getty Images

Mette-Marit negou ter conhecimento do passado criminoso do magnata, mas e-mails recentemente divulgados mostram que ela o investigou em 2011 e chegou a escrever para ele dizendo que a situação "não parecia muito boa", com um emoji de carinha sorridente.

"Devo assumir a responsabilidade por não ter investigado o passado de Epstein mais a fundo", afirmou Mette-Marit em um comunicado divulgado pelo palácio real.

"Demonstrei falta de bom senso e me arrependo de ter tido qualquer contato com Epstein", adicionou.

Jack Lang, ex-ministro francês

Os documentos também indicam que Jack Lang, ex-ministro da Cultura francês de 86 anos, manteve contato com Epstein por um longo período e solicitou favores, incluindo o uso de seu carro e avião particular.

Em um e-mail enviado em 7 de abril de 2017, muito tempo depois da condenação de Epstein, Lang agradeceu a Epstein por um "momento esplêndido" no dia anterior.

Lang renunciou ao cargo de presidente do Instituto do Mundo Árabe em 7 de fevereiro, após revelações sobre seus contatos passados ​​com o magnata e o início de uma investigação financeira.

No mesmo dia, promotores franceses abriram uma investigação contra Jack Lang e sua filha, Caroline, por suspeita de lavagem de dinheiro agravada proveniente de fraude fiscal.

Caroline Lang, de 64 anos, renunciou à presidência do Sindicato dos Produtores Independentes da França. Os documentos divulgados mostram que a ex-executiva da Warner Bros. se associou a Epstein em 2016 em uma empresa chamada Pyrtanée LLC.

Pai e filha negam qualquer irregularidade.

Peter Mandelson, ex-embaixador britânico

Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, está sendo investigado pela polícia por possível má conduta em cargo público, após renunciar ao Partido Trabalhista e à Câmara Alta do Parlamento.

E-mails divulgados sugerem uma estreita amizade com Epstein, que incluiu o vazamento de informações sensíveis ao mercado para ele quando Mandelson era ministro do governo. Isso teria acontecido durante a crise financeira global a partir de 2008.

Essa revelação, por sua vez, intensificou a pressão sobre o primeiro-ministro Keir Starmer, que o havia nomeado embaixador, incluindo por parte de integrantes de seu próprio partido.

Embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson • 26/02/2025 Carl Court/Pool via REUTERS
Embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson • 26/02/2025 Carl Court/Pool via REUTERS

O chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney, renunciou em 8 de fevereiro, assumindo a responsabilidade por aconselhar Starmer a nomear Peter Mandelson como embaixador dos EUA, apesar de seus laços com Epstein.

Starmer demitiu Mandelson em setembro, quando um lote anterior de e-mails de Epstein revelou a profundidade do relacionamento entre eles.

Mandelson não comentou publicamente as alegações de que vazou informações e não respondeu às mensagens solicitando comentários.

Boerge Brende, CEO do Fórum Econômico Mundial

O Fórum Econômico Mundial, responsável pelo encontro anual de Davos, iniciou uma investigação sobre os laços de seu CEO, Boerge Brende, com Epstein.

Segundo o fórum, as revelações dos EUA mostraram que Brende teve três jantares de negócios com Epstein e trocou e-mails e mensagens de texto com ele.

Brende, ex-ministro das Relações Exteriores da Noruega, disse que conheceu Epstein pela primeira vez em um jantar em Nova York em 2018 e participou de mais dois encontros semelhantes com diplomatas e líderes empresariais em 2019.

Ele afirmou que desconhecia o histórico criminal de Epstein e lamentou não ter investigado mais a fundo.

Ariana de Rothschild permanece como CEO do fórum.

Ariana de Rothschild

E-mails mostram que Ariana de Rothschild, chefe do grupo financeiro familiar Edmond de Rothschild, com sede em Genebra, concordou com vários encontros com Epstein em Nova York e Paris antes de sua prisão em 2019.

Eles não contêm nenhum indício de irregularidade criminal, e a porta-voz do banco afirmou que ela não tinha conhecimento de sua conduta anterior.

Thorbjörn Jagland, ex-premiê da Noruega

Thorbjörn Jagland, ex-primeiro-ministro da Noruega de 75 anos, está sendo investigado pela unidade de crimes econômicos da polícia, sob suspeita de corrupção agravada com base em informações divulgadas nos arquivos de Epstein.

Jagland é suspeito de receber presentes, viagens e empréstimos em conexão com seus antigos cargos como presidente do Comitê Norueguês do Nobel e secretário-geral do Conselho da Europa.

A Noruega afirmou que está solicitando ao Conselho a revogação da imunidade parlamentar decorrente de seu mandato.

Um advogado de Jagland disse que ele acolhe a investigação policial e cooperará plenamente.

Mona Juul, embaixadora da Noruega

A embaixadora da Noruega na Jordânia e no Iraque, Mona Juul, foi suspensa após a divulgação de documentos que apontavam para extensos contatos com Epstein após sua condenação.

Juul ​​e Roed-Larsen ajudaram a estabelecer o canal secreto de comunicação entre a Organização para a Libertação da Palestina e o governo israelense, que levou aos Acordos de Paz de Oslo de 1993-1995.

Os documentos indicam que o casal e seus filhos visitaram a ilha de Epstein. Em uma versão do testamento do magnata divulgada nos arquivos dos EUA, os dois filhos herdariam US$ 5 milhões cada.

A unidade de combate a crimes financeiros da Noruega, Ökokrim, abriu uma investigação de corrupção contra o casal em 9 de fevereiro.

Seus advogados afirmaram não ver fundamento nas acusações e que estavam cooperando com a investigação.

Miroslav Lajcak, conselheiro de Segurança Nacional da Eslováquia

O conselheiro de Segurança Nacional da Eslováquia, Miroslav Lajcak, renunciou ao cargo após a divulgação dos documentos mais recentes que mostravam a troca de e-mails entre os dois sobre mulheres jovens.

Lajcak afirmou que as mensagens datavam de 2018, quando ele era ministro das Relações Exteriores.

Em um comunicado, ele negou qualquer irregularidade e condenou os crimes de Epstein, mas disse que estava renunciando ao cargo para evitar que o assunto fosse usado politicamente contra o primeiro-ministro Robert Fico.