Ataque contra oleoduto na Arábia Saudita causa incêndio visto do espaço

Autoridades locais afirmam que a explosão originou-se de uma operação do Iraque para destruir infraestrutura do reino

Zachary Cohen, Thomas Bordeaux, Kylie Atwood e Katie Bo Lillis, da CNN
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Um importante sistema de oleodutos na Arábia Saudita foi atingido por projéteis na quinta-feira (10), segundo duas autoridades dos Estados Unidos a par do assunto.

Uma análise preliminar indicou que estações de bombeamento, localizadas junto ao próprio oleoduto, foram atingidas, disse uma das autoridades americanas.

Imagens de satélite captadas nesta sexta-feira (11) parecem mostrar danos extensos causados ​​por um incêndio em uma das estações de bombeamento, enquanto uma imagem de outra estação, feita na quinta-feira (10), mostrava um pequeno incêndio expelindo colunas de fumaça negra e densa.

Não ficou claro de imediato quem foi o responsável pelos ataques ou se trechos do próprio oleoduto sofreram danos, mas uma das autoridades afirmou que a instalação foi atingida por drones provenientes do Iraque. Também não se sabia de imediato quanto tempo levaria para reparar os danos causados pelo ataque, disseram as fontes.

O ataque sinaliza que os recursos petrolíferos do reino — e sua capacidade de exportá-los — enfrentam ameaças crescentes em meio à continuidade do conflito envolvendo o Irã.

Os ataques ao oleoduto ocorreram poucos dias depois dos Houthis, um grupo armado iemenita alinhado ao Irã, terem tomado uma cidade portuária estratégica no Iêmen, banhada pelo Mar Vermelho, o que poderia ameaçar ainda mais o transporte de energia na região.

Nesta semana, os preços do petróleo ultrapassaram a marca de 100 dólares o barril, em meio a fortes oscilações impulsionadas por eventos no Oriente Médio.

O governo da Arábia Saudita e a gigante estatal de petróleo Aramco não responderam aos pedidos de comentário. O Departamento de Estado e a Casa Branca também não responderam de imediato a solicitações da CNN. O Comando Central dos EUA recusou-se a comentar o incidente.

Autoridades americanas têm trabalhado na coleta de informações de inteligência sobre o incidente, segundo uma fonte a par da situação.

Embora a origem do ataque não estivesse clara, grupos de milícias alinhados ao Irã no Iraque já utilizaram drones no passado para atacar a Arábia Saudita — segundo Behnam Ben Taleblu, diretor sênior do programa sobre o Irã na Fundação para a Defesa das Democracias— e podem ter feito isso novamente.

A ação ocorreria em meio a uma estratégia iraniana mais ampla de utilizar seus grupos aliados para pressionar nações árabes a rejeitarem a presença de forças americanas na região.

No final de julho, o ministro da Defesa da Arábia Saudita, Khalid bin Salman, reuniu-se em Washington, D.C., com o presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-presidente JD Vance.

O objetivo foi transmitir a avaliação do Reino sobre o conflito em curso entre os EUA e o Irã: a de que o Irã buscaria criar poder de barganha por meio de uma escalada de tensão e tentaria utilizar seus aliados remanescentes — milícias no Iraque e os Houthis — para esse fim, disseram fontes à CNN.

Satélites detectaram nove grandes incêndios próximos ao oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita na quinta-feira; no entanto, a localização de pelo menos seis deles parecia corresponder a fossas de queima, onde petróleo e gás podem ser queimados em situações de emergência.

O oleoduto tornou-se estratégico para a Arábia Saudita desde o início do conflito entre os EUA e o Irã. O reino redirecionou cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia — que inicialmente seriam destinados a petroleiros aguardando no Golfo Pérsico — devido ao bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã. Em vez disso, esse petróleo foi transportado pelo oleoduto Leste-Oeste até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Com a declaração de combatentes houthis de que atacariam quaisquer navios sauditas que tentassem passar pelo estreito de Bab al-Mandeb, saindo do Mar Vermelho, essa rota de escoamento do petróleo do reino também pode estar em risco.

Autoridades e especialistas dos EUA afirmaram que reparar estações de bombeamento poderia ser menos oneroso do que consertar danos graves na estrutura do próprio oleoduto.

O ataque ao sistema de oleodutos ocorre em um momento em que a Arábia Saudita informou à OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) uma queda acentuada em sua produção de petróleo bruto no mês passado, atingindo os níveis mais baixos desde 1990.

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