Ataque de Israel mata filho do principal negociador do Hamas, diz grupo
Azzam Al-Hayya, filho de Khalil Al-Hayya, morreu enquanto o pai participa de conversas sobre o futuro da Faixa de Gaza

Um ataque aéreo de Israel matou o filho do principal negociador do Hamas nas negociações mediadas pelos Estados Unidos sobre o futuro da Faixa de Gaza, disse um alto funcionário do grupo palestino nesta quinta-feira (7), enquanto líderes do Hamas realizam conversas no Cairo com o objetivo de manter o cessar-fogo com Israel.
Azzam Al-Hayya, filho de Khalil Al-Hayya, não resistiu aos ferimentos sofridos após ser atingido em um ataque israelense na noite de quarta-feira (6), disse Basim Naim, alto funcionário do Hamas. Ele é o quarto filho do chefe exilado do Hamas em Gaza a ser morto em ataques israelenses.
O Exército israelense não respondeu a um pedido de comentário.
Ataques anteriores mataram outros três filhos
Hayya, que tem sete filhos, sobreviveu a múltiplas tentativas israelenses de assassiná-lo. Um ataque em Doha, no ano passado, contra a liderança do Hamas, matou seu filho, embora Hayya tenha sobrevivido.
Outros dois filhos dele foram mortos em atentados israelenses anteriores contra sua vida, em ataques a Gaza em 2008 e 2014.
Em entrevista à Al Jazeera após o ataque na noite de quarta-feira, antes do anúncio da morte de seu filho, Hayya acusou Israel de tentar minar os esforços dos mediadores para avançar com o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para Gaza, supervisionado pelo chamado "Conselho de Paz".
"Esses ataques e violações sionistas indicam claramente que a ocupação não quer respeitar o cessar-fogo ou a primeira fase", disse Hayya.
Busca por um plano para Gaza
A violência ocorre enquanto líderes do Hamas e de outras facções palestinas mantêm conversas com mediadores regionais e com o principal enviado do Conselho de Paz, Nickolay Mladenov, esta semana no Cairo, para impulsionar o plano de Trump para a Faixa de Gaza para a sua segunda fase, disseram autoridades.
O plano de Trump para Gaza, que Israel e o Hamas concordaram em outubro, envolve a retirada das tropas israelenses de Gaza e o início da reconstrução assim que o Hamas depuser suas armas.
Mas o desarmamento do Hamas é um ponto de discórdia nas negociações para implementar o plano e consolidar o cessar-fogo de outubro, que interrompeu dois anos de guerra declarada.
Um representante do Hamas disse à agência de notícias Reuters na quarta-feira (6) que o grupo informou a Mladenov que não participaria de negociações sérias sobre a implementação da segunda fase antes que Israel cumprisse as obrigações decorrentes da primeira fase do acordo de Gaza, incluindo a completa suspensão dos ataques.
Pelo menos 830 palestinos foram mortos desde que o acordo de cessar-fogo entrou em vigor, segundo médicos locais, enquanto Israel afirma que militantes mataram quatro de seus soldados no mesmo período.
Israel afirma que seus ataques visam frustrar tentativas do Hamas e de outros militantes palestinos de realizar ataques contra suas forças.
https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/entenda-o-que-e-o-conselho-de-paz-de-trump/


