Ataques aéreos de Israel matam quatro pessoas na Faixa de Gaza
Ofensiva ocorreu enquanto mediadores buscam implementar a segunda fase do acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos

Ataques aéreos israelenses mataram pelo menos quatro palestinos na Faixa de Gaza nesta segunda-feira (13), disseram autoridades de saúde, enquanto mediadores se reuniam com líderes do Hamas para consolidar um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.
Socorristas disseram que o ataque atingiu um grupo de homens em frente a uma escola em Deir al-Balah, na região central da Faixa de Gaza, matando três deles. Em outro incidente, um ataque matou uma pessoa e feriu outra em um café na Cidade de Gaza, acrescentaram.
Os militares israelenses não comentaram nenhum dos dois incidentes.
No Hospital Al-Aqsa, em Deir al-Balah, os corpos das vítimas jaziam no chão, envoltos em mortalhas brancas, em frente ao necrotério, enquanto parentes e amigos chegavam para se despedir. Alguns beijaram as testas das vítimas antes de realizar orações especiais.
“Isto não é uma trégua; é uma armadilha para os nossos jovens. Todos os dias há mártires, todos os dias. Até quando isto pode continuar?”, disse Umm Hussam Abu El-Rous, uma parente de uma das vítimas.
“Não é injusto que uma criança de três anos tenha medo de ver o pai (morto)? Ela diz: 'Meu pai foi buscar algo na loja para mim'”, acrescentou ela.
O cessar-fogo que começou em outubro de 2025 interrompeu dois anos de guerra, mas deixou as tropas israelenses no controle de uma zona despovoada, demarcada por blocos pintados de amarelo, que corresponde a bem mais da metade de Gaza, com o Hamas no poder em uma estreita faixa costeira e os ataques aéreos israelenses continuando.
Mais de 750 palestinos foram mortos desde que o acordo entrou em vigor, enquanto militantes mataram quatro soldados israelenses. Israel e Hamas têm trocado acusações sobre as violações do cessar-fogo.
Palestinos afirmam que as forças israelenses têm movido alguns dos marcadores de concreto amarelo para o oeste. Israel nega essa acusação.
Desarmamento do Hamas é um obstáculo
A violência ocorre em um momento em que líderes do Hamas e de outras facções palestinas estão reunidos desde sábado (11) no Cairo com mediadores do Egito, Turquia e Catar para discutir a implementação da segunda fase do acordo de Gaza.
Segundo um plano apresentado pelo Conselho de Paz do presidente dos EUA, Donald Trump , o Hamas seria obrigado a depor as armas em etapas, ao longo de oito meses, após um comitê de tecnocratas palestinos apoiado pelos EUA assumir o controle de Gaza.
No entanto, o desarmamento do Hamas tem sido um grande obstáculo ao progresso do acordo de cessar-fogo de Trump e do plano para Gaza , que também foram afetados pela guerra no Irã.
Dois funcionários próximos às últimas negociações disseram que o Hamas informou aos mediadores que as discussões sobre o desarmamento só poderiam avançar depois que Israel implementasse integralmente a primeira fase do acordo de outubro de Trump, que inclui um cessar-fogo completo em Gaza.
Autoridades militares israelenses afirmaram que estão se preparando para um rápido retorno à guerra em grande escala caso o Hamas não deponha as armas.
A guerra em Gaza começou em 7 de outubro de 2023, com um ataque liderado pelo Hamas contra Israel, que matou 1.200 pessoas, segundo dados israelenses.
A campanha israelense que se seguiu, com duração de dois anos, matou mais de 72.000 palestinos, segundo as autoridades de saúde de Gaza, e deixou o território praticamente em ruínas.


