Ataques com drone na fronteira entre Ucrânia e Moldávia deixam dois mortos
Operações russas focam em interromper rotas comerciais e logísticas ucranianas

Drones russos atingiram uma passagem de fronteira entre a Ucrânia e a Moldávia, na região sul de Odessa, matando duas pessoas, informaram autoridades ucranianas e moldavas nesta quarta-feira (9), em um momento em que Moscou tem como alvo rotas comerciais e logísticas para causar danos econômicos.
Uma pessoa morreu em novas ondas de ataques russos a Kiev, segundo a administração militar da cidade. Quatorze pessoas ficaram feridas.
Forças russas atacaram a capital durante a noite e ao longo desta quarta-feira com drones a jato, provocando vários incêndios e interrompendo atividades comerciais e o funcionamento de escolas, disseram autoridades.
Dois civis morreram e três ficaram feridos no ataque à passagem de fronteira de Starokozache, no sudoeste da Ucrânia, informou o governador regional de Odessa, Oleh Kiper, no Telegram.
O posto de controle, situado a cerca de 1 km do território moldavo, é utilizado diariamente por milhares de pessoas e centenas de veículos. Autoridades da Moldávia informaram que o tráfego de passageiros e veículos foi interrompido devido ao ataque.
"Muito provavelmente, a Rússia quer interromper as rotas logísticas", disse Andriy Demchenko, porta-voz da guarda de fronteira ucraniana, à televisão nacional.
Operações russas na Moldávia na terça-feira (8) quase resultaram na colisão de um drone com o avião do presidente Volodymyr Zelensky, que havia viajado para Oslo, na Noruega.
Aumento de ataques a passagens de fronteira
A Rússia atingiu cinco passagens de fronteira nas últimas semanas, segundo a guarda de fronteira ucraniana — quatro na fronteira com a Moldávia e uma na fronteira com a Romênia, país membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Trata-se de um desdobramento preocupante para Kiev, que passou a depender mais de rotas terrestres para suas exportações, uma vez que os ataques russos aos portos do Mar Negro prejudicaram as exportações marítimas. Por sua vez, a Ucrânia tem atacado refinarias, terminais de petróleo e armazéns comerciais russos com drones, muitas vezes em território profundo da Rússia.
A presidente da Moldávia, Maia Sandu, prometeu medidas para proteger o espaço aéreo nacional e acusou a oposição pró-Rússia do país de colocar em risco a segurança nacional ao minimizar a ameaça vinda de Moscou.
"Negar o perigo quando drones e mísseis russos espalham a morte e colocam a Moldávia em risco, bem como criticar os esforços do próprio país para fortalecer suas defesas, significa escolher a traição em detrimento da segurança do seu próprio povo", afirmou ela em um comunicado.
O primeiro-ministro moldavo, Vasile Tofan, disse que as incursões de drones russos no espaço aéreo de seu país aumentaram significativamente.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que forças ucranianas atingiram uma base naval, um terminal de petróleo, instalações portuárias militares e navios de guerra equipados com mísseis em Novorossiysk, na Rússia, e reiterou seu apelo por maior pressão internacional sobre Moscou.
"É necessária uma resposta – Moscou não deve entrar no inverno acreditando que pode impunemente promover o terror com mísseis e drones", disse Zelensky no Telegram.
"A agressão precisa ser interrompida aqui e agora, antes que se espalhe ainda mais."
A Rússia retomou seus ataques aéreos quase constantes a Kiev na terça-feira, após uma breve pausa durante a visita a Moscou e Kiev dos negociadores de paz do presidente dos EUA, Donald Trump.


