Ataques dos EUA contra embarcações já deixaram ao menos 207 mortos
Washington afirma ter como objetivo conter o fluxo de drogas para os Estados Unidos

As forças armadas dos EUA mataram pelo menos 207 pessoas em ataques que destruíram 66 embarcações, como parte de uma campanha que Washington afirma ter como objetivo conter o fluxo de drogas para os Estados Unidos, de acordo com anúncios oficiais e análises da CNN sobre os esforços de busca e resgate.
Houve pelo menos 20 sobreviventes desses ataques, dos quais pelo menos dois foram detidos brevemente pela Marinha dos EUA antes de serem devolvidos aos seus países de origem. Cerca de 11 pessoas são consideradas mortas, após buscas não terem encontrado seus corpos na água.
O ataque mais recente contra uma embarcação supostamente envolvida com tráfico de drogas ocorreu em nesta quinta-feira (18).
A Guarda Costeira dos EUA iniciou uma busca por um número não especificado de sobreviventes que abandonaram o navio antes de suas embarcações serem atingidas em 30 de dezembro, em águas internacionais.
A Guarda Costeira suspendeu as buscas em 2 de janeiro. Posteriormente, as autoridades informaram que estavam tentando localizar oito sobreviventes. A Guarda Costeira também iniciou buscas por sobreviventes de colisões com embarcações em 27 de outubro, 23 de janeiro e 9 de fevereiro, mas todas as três buscas foram suspensas sem que os homens fossem localizados.
Após as colisões de 11 de abril, os militares disseram ter notificado a Guarda Costeira para “ativar o sistema de Busca e Resgate” depois que uma pessoa sobreviveu à primeira colisão. O SOUTHCOM (Comando Sul dos EUA) notificou a Guarda Costeira sobre um sobrevivente após a colisão de 8 de maio, dois sobreviventes em 26 de maio e dois sobreviventes em 16 de junho.
O governo Trump informou ao Congresso que os EUA estão agora em um “conflito armado” contra os cartéis de drogas, a partir do primeiro ataque em 2 de setembro, classificando os mortos como “combatentes ilegais” e alegando ter a capacidade de realizar ataques letais sem revisão judicial devido a uma conclusão confidencial do Departamento de Justiça.
Alguns membros do Congresso, bem como grupos de direitos humanos, questionaram essa conclusão e argumentaram que os potenciais traficantes de drogas deveriam ser processados, como era a política de interdição implementada pelos EUA antes da posse do presidente Donald Trump.
O governo Trump também não apresentou provas públicas da presença de narcóticos nos barcos atingidos, nem de sua ligação com cartéis de drogas.
Autoridades militares afirmaram que nenhum membro das Forças Armadas dos EUA ficou ferido nos ataques.



