Até 380V: Como funcionam as luvas de choque que o ICE planeja usar nos EUA

Segundo manual da fabricante, equipamento é capaz de emitir uma tensão máxima de até 380 volts que "inibe/distrai o indivíduo de realizar movimentos musculares coordenados"

Da CNN
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Nos Estados Unidos, o ICE planeja gastar até US$ 20 milhões para comprar luvas capazes de dar choques elétricos. A polícia migratória americana deve receber os equipamentos até o primeiro trimestre do ano que vem.

Os dispositivos – conhecidos como CTG 5 G.L.O.V.E, sigla para Generated Low Output Voltage Emitter (Emissor de Baixa Tensão Gerada) – têm o objetivo, segundo a fabricante, de desescalar confrontos com indivíduos.

Segundo contrato publicado no portal do DHS (Departamento de Segurança Interna), as luvas seriam entregues até 31 de março de 2027. Não está claro quantas unidades o DHS pretende adquirir, o custo por luva e quando os oficiais começariam a utilizá-las.

O Departamento de Segurança Interna e a fabricante do dispositivo, Compliant Technologies LLC, não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da CNN.

Como essas luvas de choque funcionam?

A Compliant Technologies comercializa o G.L.O.V.E como um "dispositivo de desescalada vestível" que pode ser ativado no modo elétrico.

Segundo um manual do usuário dos modelos CTG4 e 5 disponível no site da Compliant Technologies, as luvas podem emitir uma tensão máxima de até 380 volts que "inibe/distrai o indivíduo de realizar movimentos musculares coordenados".

O manual afirma que não mais do que duas luvas devem ser aplicadas em um indivíduo ao mesmo tempo e que elas não devem ser usadas por mais de 15 segundos em muitos casos.

Se ocorrer um incidente em que "o(s) policial(is) ou o público esteja em perigo", sugere-se que as luvas sejam usadas conforme necessário até que "controle e conformidade" sejam obtidos, ou que se utilize um nível mais elevado de força.

As luvas devem entrar em contato direto com a pele e não são eficazes sobre roupas ou cabelos, conforme afirma o manual do usuário.

Em seu site, a empresa afirma que as luvas têm como objetivo "complementar as ferramentas existentes para aplicação da lei, correções, segurança, serviços médicos de emergência e militares", e as descreve como um "parceiro invisível" para aumentar a eficácia do usuário ao operar dentro das táticas, técnicas e procedimentos já estabelecidos por suas agências".

A empresa adverte que as luvas não devem ser usadas como "punição" nem em indivíduos de alto risco, incluindo gestantes, idosos, crianças pequenas e pessoas com deficiência grave.

A empresa também alerta contra o uso em casos de "desafio verbal ou agressividade". Qualquer pessoa que utilize as luvas deve ser certificada e recertificada a cada dois anos para continuar usando-as, conforme o manual do usuário.

Com informações de Julianna Brag, da CNN