Atirador do jantar da imprensa nos EUA continuará preso até julgamento
Juíza negou pedido de promotores que buscavam argumentar pela prisão mesmo após a concordância do réu

O homem acusado de tentar assassinar o presidente Donald Trump no fim de semana não contestou a detenção enquanto o caso segue, disseram seus advogados a um juiz federal na quinta-feira (30).
Cole Tomas Allen, que falou pouco durante a audiência de quinta-feira, é acusado de passar rapidamente por um ponto de controle de segurança durante o Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, que recebeu Trump e altos funcionários da administração, na noite de sábado (25).
Apesar de Allen ter aceitado sua detenção pré-julgamento, os promotores ainda tentaram apresentar seus argumentos ao juiz sobre por que Allen deveria permanecer preso.
“O réu concordou em ser detido. Ele está essencialmente aceitando sua moção”, disse a juíza magistrada designada para a audiência, Moxila A. Upadhyaya, negando os esforços dos promotores.
“Estou negando o pedido do governo. É realmente sem precedentes”, acrescentou a juíza.
A audiência começou pouco depois das 12h, horário de Brasília, e Allen apareceu usando o uniforme laranja de prisão. Os advogados de Allen haviam apresentado anteriormente um memorando indicando que contestariam sua detenção, mas não o fizeram na audiência de quinta-feira.
“Tivemos dificuldades para nos encontrar com Allen nos últimos dias”, disse um dos advogados de Allen, observando que finalmente conseguiram vê-lo. “Estamos aceitando a detenção.”
Allen deve retornar ao tribunal em 11 de maio. Seus advogados informaram à juíza na quinta-feira que ele está em confinamento 24 horas por dia, 7 dias por semana na prisão, algo que eles contestam.
“Quando fomos à prisão pela primeira vez, disseram que ele já deveria ter saído, mas não saiu”, disse uma das advogadas de Allen, Tezira Abe. “Não há motivo, pelo que entendemos, para que ele esteja na cela de segurança. Não foi nada que ele disse ou fez na admissão. Ele não representa perigo para ninguém na prisão.”
Os promotores haviam apresentado um memorando de detenção na quarta-feira, afirmando que “não existe uma combinação de condições que possa razoavelmente garantir a segurança da comunidade” se Allen fosse liberado, apontando para seus extensos preparativos antes do jantar, bem como a possibilidade de que ele poderia ter matado pessoas e causado danos graves.
Eles classificaram o plano dele como um caso de “violência política extrema.”
“Tentativa de assassinato é sempre um crime sério, mas quando a vítima pretendida é o Presidente dos Estados Unidos, bem como o outros membros de alto escalão do governo dos EUA, as consequências potenciais são de grande alcance”, dizia o memorando.
Os advogados de Allen, no entanto, haviam se manifestado anteriormente, se opondo à detenção em seu próprio memorando ao juiz. Os advogados questionaram se os promotores têm provas diretas de suas alegações, especialmente a acusação de que Allen teria disparado sua espingarda na direção de um agente do Serviço Secreto na noite de sábado.
“A evidência do governo sobre o crime imputado, a tentativa de assassinato do presidente, baseia-se inteiramente em especulação”, escreveram eles em um documento argumentando pela liberação de Allen antes do julgamento.
Allen supostamente enviou uma nota a familiares detalhando como queria atingir os funcionários da administração, além de postar em redes sociais e deixar outros materiais que apontam para sua motivação potencial.
Outra questão central nos primeiros dias do caso tem sido se Allen realmente disparou sua espingarda e atingiu o agente do Serviço Secreto, que atirou várias vezes contra ele, mas errou.
Os advogados de defesa questionaram se os promotores sabem se Allen disparou sua arma e se atingiu o agente do Serviço Secreto.
A promotora dos EUA em DC, Jeanine Pirro, cujo escritório lidera a acusação contra Allen, disse à Fox News na manhã de quinta-feira que Allen “disparou a arma na direção do agente do Serviço Secreto”.
Pirro observou que o agente atirou cinco vezes e os investigadores “encontraram cinco áreas consistentes com ter sido atingidas por um projétil de nove milímetros”, que é a arma de serviço com a qual os agentes estão equipados.
“Portanto, esse agente do Serviço Secreto não atirou em si mesmo”, concluuiu Pirro.
De acordo com os promotores, Allen viajou de trem da Califórnia para Washington, DC, nos dias anteriores ao evento de sábado à noite e se hospedou no mesmo hotel onde ocorreu o jantar.
Ele foi preso antes de conseguir entrar no jantar, que ocorria em outro andar.



