Atirador invade órgão público na Tailândia mata uma pessoa e deixa ferido
Ex-parlamentar foi preso após disparar contra um funcionário provincial e seu motorista, dias depois de um massacre em uma escola reacender o debate sobre armas no país
Um homem armado matou uma autoridade tailandesa dentro de um escritório do governo local nos arredores da capital, Bangkok, nesta segunda-feira (10), informaram as autoridades — dias depois de um adolescente ter realizado um ataque a tiros em uma escola na mesma província, reacendendo o debate sobre o controle de armas.
A polícia informou que o suspeito do disparo, o ex-parlamentar Chalong Riewrang, atirou contra o presidente da Organização Administrativa Provincial de Nonthaburi (província vizinha a Bangkok) devido a uma divergência sobre dinheiro emprestado.
"A motivação foi pessoal", disse o tenente-general da polícia Wattana Yijin a repórteres, acrescentando que o motorista da autoridade provincial também foi ferido, mas não corre risco de morte.
A autoridade acabou falecendo em decorrência dos ferimentos no Hospital Phra Nang Klao, em Nonthaburi, segundo o diretor da unidade, Dr. Sakol Sookprome, em declaração à agência de notícias Reuters.
Em declaração a repórteres enquanto estava sob custódia policial, Chalong disse que havia ido confrontar a vítima devido a uma disputa antiga, mas que ela se recusou a conversar.
"Mas, quando ele estava saindo de carro, sacou uma arma", relatou Chalong, referindo-se à vítima: "Eu atirei." A polícia não forneceu informações sobre se o funcionário morto estava armado.
Ataque em escola
A Tailândia ainda está abalada pela onda de violência provocada por um adolescente de 14 anos na sexta-feira (7) — primeiro em sua casa e depois na escola Debsirin Nonthaburi.
O episódio deixou nove mortos, incluindo o atirador, e mais de 20 feridos, configurando o ataque em massa mais letal do país em quase quatro anos.
Alunos tailandeses retornaram às salas de aula nesta segunda-feira (10) — alguns passando por detectores de metais e outras verificações de segurança —, enquanto o primeiro-ministro Anutin Charnvirakul reiterava sua intenção de endurecer o controle de armas após o caso de sexta-feira.
Na escola Debsirin, em Bangkok — instituição irmã daquela onde ocorreu o ataque —, as autoridades instalaram detectores de metais e reforçaram a segurança à medida que os alunos voltavam às aulas após o fim de semana.
O diretor da escola, Withan Promsintusak, afirmou que as autoridades agiram imediatamente após o ataque, implementando a revista em busca de armas para tranquilizar os pais e proteger os alunos.
"Nunca imaginamos que uma escola — que deveria ser o lugar mais seguro — fosse o local onde algo assim aconteceria", disse ele.
Thidarat Songrat, avó de 54 anos de um aluno, disse que a revista em busca de armas era necessária, pois, de outra forma, as escolas não teriam como saber se os alunos estariam portando objetos perigosos.
Novo protocolo de segurança escolar
Após o ataque, o Ministério da Educação da Tailândia anunciou que desenvolverá novos protocolos de segurança escolar nos próximos três meses, incluindo avaliações de saúde mental, exercícios de resposta a emergências, medidas de combate ao bullying e aprimoramento da detecção de armas e outros itens proibidos.
O vice-primeiro-ministro tailandês, Anutin, também ordenou uma fiscalização mais rigorosa contra pessoas que portam armas em locais públicos e afirmou que a polícia estabeleceria pontos de controle como parte de uma ofensiva, a qual incluiria o endurecimento das normas sobre a posse, o porte e o uso de armas de fogo.
"Ninguém tem o direito de portar uma arma de fogo, especialmente em locais públicos", disse Anutin a jornalistas, acrescentando que alegar que a arma servia para autodefesa não constituía justificativa.
A Tailândia registrava uma estimativa de 10,3 milhões de armas de fogo em posse de civis — o que equivale a cerca de 15 armas para cada 100 habitantes, a maior taxa do Sudeste Asiático com ampla margem de diferença, segundo estimativa de 2017 do Small Arms Survey.
O atual sistema de licenciamento do país não prevê avaliação de saúde mental para solicitantes de posse de arma, permite que pessoas a partir dos 20 anos portem armas e não exige reavaliações periódicas dos titulares da licença, segundo especialistas.


