Austrália tinha preocupações ‘graves e profundas’ sobre submarinos franceses

Primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, diz que equipamento francês não atenderia objetivos estratégicos e rompeu contato com base em interesse nacional

O USS Indiana, um submarino de ataque movido a energia nuclear parte de Port Canaveral, na Flórida, em 1º de outubro de 2018.
O USS Indiana, um submarino de ataque movido a energia nuclear parte de Port Canaveral, na Flórida, em 1º de outubro de 2018. Shutterstock

Jennifer HauserIvana Kottasováda CNN

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A Austrália temia que os submarinos convencionais encomendados à França não atendessem às suas necessidades estratégicas antes de cancelar o acordo multibilionário de defesa em favor de um acordo com os Estados Unidos e o Reino Unido na semana passada, disse o primeiro-ministro Scott Morrison, no domingo (19).

Tentando explicar a repentina reviravolta que causou grande descontentamento em Paris, Morrison disse que, embora entendesse a decepção da França com a questão, “o interesse nacional da Austrália vem em primeiro lugar”.

“Deve vir primeiro e veio primeiro. Os interesses da Austrália são mais bem atendidos pela parceria trilateral que consegui formar com o presidente [Joe] Biden e o primeiro-ministro [Boris] Johnson”, disse ele, em entrevista coletiva no domingo.

A decisão da Austrália de abandonar o acordo francês e comprar submarinos com propulsão nuclear por meio de um novo acordo com os Estados Unidos e o Reino Unido parece ter surpreendido a França.

O porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, disse no domingo que o presidente Emmanuel Macron fará uma ligação telefônica com o presidente dos Estados Unidos nos próximos dias “para seguir em frente”.

Em declarações ao canal de TV France 2 no sábado (18), o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, disse que a decisão de descartar o acordo que estava em andamento desde 2016 e “resultou em uma crise”.

“Tem havido mentira, duplicidade, uma grande quebra de confiança e desprezo. Isso não vai funcionar. As coisas não estão indo bem entre nós, não estão indo bem”, disse ele.

Em um sinal de que a escalada era séria, a França convocou seus embaixadores nos Estados Unidos e na Austrália para consulta em resposta ao anúncio.

O cancelamento do negócio tem consequências econômicas reais para a França. A construtora francesa de submarinos Naval Group disse que 500 de seus funcionários na Austrália e 650 na França foram afetados pelo rompimento do acordo.

A empresa afirmou no domingo (19) que suspendeu seus esforços de recrutamento a fim de priorizar as necessidades das pessoas afetadas pelo contrato que está chegando ao fim.

Mas Morrison defendeu a decisão no domingo, dizendo que havia preocupações sobre o acordo com a França antes mesmo de ser cancelado.

“Tínhamos preocupações profundas e sérias de que a capacidade entregue pelo submarino da classe Attack não atenderia aos nossos interesses estratégicos e deixamos muito claro que tomaríamos uma decisão com base em nosso interesse nacional estratégico”, disse ele.

Le Drian também criticou o Reino Unido por seu papel no negócio, dizendo: “Grã-Bretanha, não há necessidade, nós conhecemos seu oportunismo permanente, então não há necessidade de trazer nosso embaixador para explicar. Na verdade, neste assunto, a Grã-Bretanha é um pouco como um pneu estepe”.

A nova secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss, disse que o Reino Unido está procurando construir parcerias com “países com ideias semelhantes”.

Escrevendo no jornal Sunday Telegraph, ela disse que o novo acordo com a Austrália e os EUA mostra a “disposição da Grã-Bretanha em defender interesses e desafiar práticas injustas e atos malignos”.

Martin Goillandeau e Joseph Ataman, da CNN, contribuíram para esta reportagem

(Texto traduzido; leia o original em inglês)

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