Autoridades buscam suspeitos de tiroteio em templo na Jordânia
Nenhum grupo assumiu a autoria do crime que vitimou integrantes da minoria cristã no país

Quando homens armados abriram fogo contra uma igreja na Jordânia, Sahar al-Halsa escondeu-se atrás de uma coluna enquanto ouvia os disparos e os gritos de pânico das pessoas durante o funeral da filha de seu primo.
Ao correr para o lado de fora, em meio ao caos, ela conta que viu os agressores e um outro primo, ferido, caído no chão.
"Fui até ele e disse: 'Assem, Assem, meu querido, responda-me'", relatou ela.
Segundo ela, ele abriu os olhos para olhá-la, mas, em seguida, "partiu".
O ataque ocorrido na sexta-feira (23) contra o local de culto greco-ortodoxo na província de Karak — a cerca de 120 km a sudoeste da capital, Amã — levou o rei Abdullah, um aliado dos Estados Unidos no combate a grupos militantes islâmicos, a ordenar que as forças de segurança respondessem com "mão de ferro" ao que as autoridades descreveram como terrorismo extremista.
Padre envia mensagem de amor e paz
Seis pessoas morreram no tiroteio que, segundo testemunhas, durou vários minutos. Os funerais foram realizados neste domingo (25).
Quarenta pessoas ficaram feridas nesse ataque, um episódio raro contra a minoria cristã.
Falando de sua casa — de onde é possível ver a cúpula vermelha da igreja de São Jorge —, al-Halsa concluiu que Deus deve tê-la salvado.
"Minha vida começa agora, porque eu ia morrer", disse ela, ao lado de seu marido, Ziad al-Halsa. Uma estátua de Jesus na cruz estava exposta em uma prateleira.
As autoridades informaram que ainda estão à procura dos autores do ataque, acrescentando que é cedo para determinar se eles tinham ligações com grupos conhecidos, dentro ou fora da Jordânia.
Ninguém assumiu a autoria do ataque até o momento.
Ziad contou que correu até a igreja — que ficava perto — ao ouvir os disparos.
Ele descreveu o imenso alívio que sentiu ao perceber que Sahar, a quem chamou de "o amor de sua vida", estava a salvo.
"Quanto aos meus primos, que Deus tenha misericórdia deles", disse ele.
Ataques como esse são extremamente incomuns na Jordânia, um país relativamente estável no Oriente Médio; ainda assim, as autoridades locais afirmam ter frustrado diversos planos de grupos islâmicos nos últimos anos.
Antes dos funerais, o sacerdote Yuhanna Hamati declarou:
"Nossa mensagem, a partir desta igreja — deste local onde este crime hediondo foi cometido —, é uma mensagem de amor, paz e esperança. Uma mensagem que enviamos a todo o mundo."


