Autoridades fazem buscas em rancho de Epstein no Novo México

Arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostravam e-mail que alegava que "duas garotas estrangeiras" foram enterradas na propriedade

Michael Williams, da CNN
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As autoridades do Novo México iniciaram esta semana uma busca em um extenso rancho que pertencia ao ex-financista e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.

O local voltou a despertar interesse das autoridades após alegações envolvendo o rancho terem sido incluídas nos últimos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O Departamento de Justiça do Novo México anunciou, em um breve comunicado publicado em seu site, a busca realizada na manhã de segunda-feira (9) na propriedade conhecida como Rancho Zorro.

A operação faz parte da investigação criminal anunciada pelas autoridades estaduais no mês passado sobre alegações de atividades ilegais envolvendo o rancho na época em que Epstein, que faleceu em 2019, era o proprietário.

A declaração não indicou se algo de interesse foi encontrado durante a busca ou quanto tempo se espera que ela continue.

O rancho não havia sido submetido anteriormente ao mesmo nível de especulação policial que as outras propriedades de Epstein em Nova York, Palm Beach e no Caribe.

Mas, após a divulgação de uma série de arquivos do governo federal relacionados a Epstein, o procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, ordenou a reabertura da investigação criminal estadual sobre a propriedade, que, segundo ele, havia sido encerrada em 2019 a pedido dos procuradores federais.

Entre os milhões de arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça no final de janeiro, havia um e-mail de 2019 recebido por um radialista local que alegava que “em algum lugar nas colinas perto do Zorro, duas garotas estrangeiras foram enterradas por ordem de Jeffrey e Madame G”.

Essa alegação não foi verificada, e também não está claro até que ponto ela foi investigada pelas autoridades antes do recente interesse renovado em Epstein.

O apresentador, Eddy Aragon, havia dito anteriormente à CNN que acreditava ter recebido o e-mail de alguém que trabalhava no rancho, mas não revelou a identidade da pessoa.

Ele afirmou ter tentado enviar um e-mail para o endereço, mas a mensagem retornou. Os arquivos mostram que ele encaminhou as alegações para um endereço de e-mail com informações confidenciais ocultadas quatro dias após recebê-las.

O radialista acrescentou que foi ao escritório local do FBI com o e-mail e o encaminhou a um agente local da agência de investigação.

O e-mail levou Stephanie Garcia Richard, comissária de terras públicas do Novo México, a enviar uma carta no mês passado solicitando ao Departamento de Justiça do estado que investigasse as alegações.

Ela disse à CNN em fevereiro que o escritório especial de investigação do Departamento de Justiça do Novo México entrou em contato com ela posteriormente para obter “informações adicionais” sobre as terras estaduais, os processos de sua agência e os documentos divulgados em 2019.

Além da investigação criminal, a Câmara dos Representantes do estado votou no mês passado pela criação de uma "Comissão da Verdade" bipartidária para apurar alegações de atividades criminosas relacionadas ao rancho. A comissão tem o poder de emitir intimações e obrigar o comparecimento de testemunhas às suas audiências.

A propriedade pertence atualmente à família de Don Huffines, um empresário e ex-senador estadual do Texas que concorre ao cargo de controlador estadual. Huffines havia declarado anteriormente que cooperaria com qualquer investigação policial relacionada ao rancho.

O Departamento de Justiça do Novo México afirmou em comunicado que os atuais proprietários e funcionários estão cooperando com as buscas.

As autoridades pediram ao público que se mantivesse afastado do rancho, localizado em uma área remota a cerca de 48 quilômetros ao sul de Santa Fé, para evitar interferir no trabalho policial.

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