Avião de reabastecimento dos EUA cai no Iraque, diz Exército Americano

Resistência Islâmica no Iraque, grupo que engloba facções armadas reforçadas pelo Irã, reivindicou a responsabilidade pelo abate da aeronave de modelo KC-135

Idrees Ali e Jasper Ward, da Reuters
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Um avião de reabastecimento aéreo militar dos EUA caiu no oeste do Iraque na quinta-feira, em um acidente que, segundo o Comando Central dos EUA, envolveu outra aeronave, mas não foi resultado de fogo amigo ou hostil.

Os Estados Unidos têm enviado um grande número de aeronaves para o Oriente Médio para participar de operações contra o Irã, e o ocorrido destaca o risco das operações, mesmo sobre espaço aéreo amigo.

Em comunicado, o Comando Central dos EUA informou que estava realizando operações de resgate após a queda do avião de reabastecimento aéreo KC-135 dos EUA. A segunda aeronave pousou em segurança.

"O incidente ocorreu em espaço aéreo amigo durante a Operação Epic Fury, e os esforços de resgate estão em andamento", diz o comunicado, usando o nome da operação dos EUA contra o Irã.

Um oficial americano, falando sob condição de anonimato, disse que a outra aeronave envolvida no incidente também era um KC-135 e que a que caiu transportava até seis militares.

A Resistência Islâmica no Iraque, um grupo que engloba facções armadas apoiadas pelo Irã, reivindicou a responsabilidade pelo abate da aeronave de reabastecimento militar dos EUA.

O grupo afirmou em um comunicado que abateu a aeronave KC-135 "em defesa da soberania e do espaço aéreo do nosso país".

O KC-135, construído pela Boeing nas décadas de 1950 e 1960, tem sido a espinha dorsal da frota de reabastecimento aéreo das Forças Armadas dos EUA e é fundamental para permitir que as aeronaves realizem missões sem precisar pousar.

Desde que os EUA e Israel iniciaram os ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, sete soldados americanos foram mortos. Os Estados Unidos realizaram ataques contra mais de 6 mil alvos no Irã.

A Reuters noticiou na terça-feira (10) que pelo menos 150 soldados americanos ficaram feridos na guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

A notícia do acidente surge no mesmo dia em que dois marinheiros americanos ficaram feridos após o USS Gerald Ford sofrer um incêndio a bordo, sem relação com combate.

Até o momento, a guerra já matou mais de 2 mil pessoas, incluindo quase 700 no Líbano.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam terem destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã.  As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.

(Com informações de , da CNN)