Avião militar da Coreia do Sul faz pouso de emergência após falha no trem de pouso

Pouso "de barriga" foi evento sem precedentes para o caça F-35A; autoridades sul-coreanas investigam as causas do incidente

Caça F-35A fabricado nos EUA pousa na Base Aérea de Chungju, na Coreia do Sul, em 29 de março de 2019.
Caça F-35A fabricado nos EUA pousa na Base Aérea de Chungju, na Coreia do Sul, em 29 de março de 2019. Foto: South Korea Defense Acquisition Program Administration via Getty Images

Brad LendonGawon Baeda CNN

em Seoul

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Na Coreia do Sul, o piloto de um caça a jato F-35A fez um “pouso de barriga” de emergência em uma base aérea, nesta terça-feira (4), depois que seu trem de pouso não funcionou devido a problemas eletrônicos, disse um porta-voz da Força Aérea sul-coreana.

De acordo com especialistas, o “pouso de barriga” – tocar o solo com o trem de pouso retraído – foi um evento sem precedentes para o avião furtivo avaliado em US$ 100 milhões, agora em uso ou encomendado por mais de uma dúzia de países.

“O caça fez um pouso de emergência porque o trem de pouso não se estendeu. Isso significaria que o jato fez o ‘pouso de barriga'”, disse um oficial militar sul-coreano, que não confirmou se a aeronave sofreu algum dano no incidente.

Mesmo que tenha sofrido, excelentes habilidades de voo foram demonstradas pelo piloto, quem as autoridades afirmam ter saído andando após o pouso, de acordo com um oficial militar sul-coreano.

“Uma aterrissagem dessas no F-35 pode ser bastante difícil e perigosa por causa do ângulo de ataque que a aeronave tem ao se aproximar do pouso”, disse David Cenciotti, ex-oficial da Força Aérea italiana e editor do blog The Aviationist.

“O F-35 pousa muito rápido. Não é um F-16, 18 ou 111”, disse Peter Layton, ex-oficial da força aérea australiana agora no Griffith Asia Institute, referindo-se a aeronaves militares mais antigas e menos sofisticadas do que o F- 35.

“Estou muito surpreso que os sistemas de emergência para descida do trem de pouso não funcionaram ou não foram usados”, disse ele.

Layton também expressou surpresa pelo fato de o piloto sul-coreano não ejetar, “mas claramente eles fizeram a coisa certa”, disse ele.

Uma investigação sobre o incidente está em andamento, disseram autoridades sul-coreanas.

Caça F-35

A Coreia do Sul recebeu seu primeiro F-35 fabricado nos Estados Unidos em 2019 como parte de uma encomenda inicial de 40 dos jatos monomotores, de acordo com a fabricante do avião, Lockheed Martin.

Versões do F-35 também são pilotadas pela Força Aérea dos EUA, Marinha e Corpo de Fuzileiros Navais, bem como aliados e parceiros dos EUA, incluindo Japão, Reino Unido, Austrália, Itália, Noruega, Holanda e Israel. Mais países têm encomendas já feitas do jato.

O incidente desta terça-feira é o primeiro de um F-35 sul-coreano, mas os jatos estiveram envolvidos em pelo menos oito outros incidentes, de acordo com registros mantidos pelo site F-16.net.

O mais recente deles foi a perda de um F-35 britânico, que caiu no Mar Mediterrâneo ao largo do porta-aviões HMS Queen Elizabeth em novembro. O piloto foi ejetado com segurança daquele avião.

Em maio de 2020, um piloto ejetou com segurança quando um F-35 da Força Aérea dos EUA caiu ao pousar na Base Aérea de Eglin, no estado da Flórida. A Força Aérea atribuiu o incidente a uma variedade de fatores envolvendo o piloto e os sistemas do avião.

Em abril de 2019, um F-35 japonês caiu no Oceano Pacífico ao norte do Japão, matando seu piloto. Os militares japoneses atribuíram o acidente à desorientação espacial, “uma situação em que um piloto não consegue sentir corretamente a posição, altitude ou movimento de um avião”, segundo o jornal Military Medicine.

A Lockheed Martin diz que o F-35 “é a aeronave de caça mais letal, com capacidade de sobrevivência e mais conectada do mundo, dando aos pilotos uma vantagem contra qualquer adversário e permitindo-lhes executar sua missão e voltar para casa em segurança”.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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