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    Bashar al-Assad é recebido em cúpula árabe após anos de isolamento

    Presidente da Síria foi recebido pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita em uma reunião de líderes que o evitavam há anos, em mudança de abordagem política contestada pelo ocidente

    Presidente sírio, Bashar al-Assad, é recebido por príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, antes de cúpula da Liga Árabe, em Jeddah, Arábia Saudita.
    Presidente sírio, Bashar al-Assad, é recebido por príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, antes de cúpula da Liga Árabe, em Jeddah, Arábia Saudita. Sana/Entregue via Reuters

    Aziz El YaakoubiSamia Nakhoul da Reuters

    Jeddah, Arábia Saudita

    O presidente da Síria, Bashar al-Assad, recebeu calorosas boas-vindas em uma cúpula árabe nesta sexta-feira (19), ganhando um abraço do príncipe herdeiro da Arábia Saudita em uma reunião de líderes que o evitavam há anos, em mudança de abordagem política contestada pelos Estados Unidos e outras potências ocidentais.

    O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, apertou a mão de um radiante Assad na cúpula, superando a inimizade árabe em relação a um líder que virou a maré da guerra civil na Síria com a ajuda do Irã xiita e da Rússia.

    A cúpula mostrou os esforços redobrados da Arábia Saudita para exercer influência no cenário global, com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky entre os presentes e o príncipe herdeiro Mohammed reafirmando a prontidão de Riad para mediar a guerra com a Rússia.

    A potência petrolífera Arábia Saudita, outrora fortemente influenciada pelos Estados Unidos, assumiu a liderança diplomática no mundo árabe no último ano, restabelecendo laços com o Irã, dando as boas-vindas à Síria de volta e mediando o conflito no Sudão.

    Com muitos Estados árabes esperando que Assad agora tome medidas para distanciar a Síria do Irã xiita, Assad disse que o “passado, presente e futuro do país é o arabismo”, mas sem mencionar Teerã – por décadas um aliado próximo da Síria.

    Em um aparente ataque ao presidente turco Tayyip Erdogan, que apoiou os rebeldes sírios e enviou forças turcas para áreas do norte da Síria, Assad observou o “perigo do pensamento expansionista otomano”, descrevendo-o como influenciado pela Irmandade Muçulmana – um grupo islâmico visto como um inimigo de Damasco e muitos outros Estados árabes.

    O príncipe herdeiro Mohammed disse esperar que o “retorno da Síria à Liga Árabe leve ao fim de sua crise”, 12 anos depois que os Estados árabes suspenderam o país quando mergulhou em uma guerra civil que matou mais de 350 mil pessoas.

    O príncipe Mohammed bin Salman recebeu Volodymyr Zelenskyy em Jeddah para a cúpula árabe / Bandar Aljaloud / Royal Court of Saudi Arabia / Handout/Anadolu Agency via Getty Images

    A Arábia Saudita “não permitirá que nossa região se transforme em um campo de conflitos”, afirmou ele, dizendo que a página foi virada em “anos dolorosos de luta”.

    Washington se opôs a qualquer passo para a normalização com Assad, dizendo que primeiro deveria haver progresso em direção a uma solução política para o conflito.

    “Os americanos estão consternados. Nós (estados do Golfo) somos pessoas que vivemos nesta região, estamos tentando resolver nossos problemas o máximo que podemos com as ferramentas disponíveis em nossas mãos”, disse uma fonte do Golfo próxima aos círculos governamentais.

    Um analista do Golfo declarou que a Síria corria o risco de se tornar uma subsidiária do Irã e perguntou: “Queremos que a Síria seja menos árabe e mais iraniana, ou… que volte ao campo árabe?”

    Ao receber Assad, os Estados árabes também querem que ele restrinja o florescente comércio sírio de narcóticos, que estão sendo produzidos na Síria e contrabandeados por toda a região.

    (Reportagem adicional de Simon Lewis em Washington)