Bashar al-Assad: Saiba quem é ditador deposto da Síria condenado à morte

Ex-líder fugiu de Damasco em dezembro de 2024 com ofensiva rebelde derrubá-lo do domínio do país

Da CNN
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Um tribunal da Síria condenou o líder deposto Bashar al-Assad à morte nesta terça-feira (11), após julgamento à revelia, declarando-o culpado de crimes que incluem assassinatos, tortura e prisões arbitrárias durante a guerra de quase 14 anos no país.

Essa foi a primeira condenação contra Assad, que foi deposto em uma ofensiva rebelde em dezembro de 2024 — evento que pôs fim a décadas de domínio de mão de ferro de sua família sobre a Síria e à guerra brutal que matou centenas de milhares de sírios.

O ditador deposto fugiu da capital, Damasco, à medida que combatentes rebeldes se aproximavam, há quase dois anos, e atualmente está em Moscou, capital da Rússia.

Quem é Bashar al-Assad?

Bashar al-Assad foi eleito presidente da Síria, sem oposição, em 10 de julho de 2000. Em 29 de maio de 2007, ele tentou uma reeleição e foi eleito para um segundo mandato de sete anos, novamente sem oposição.

A dinastia Assad está no poder há 53 anos, desde que Hafez al-Assad, que saiu da pobreza para liderar o Partido Baath e tomar o poder em 1970, tornou-se presidente do país no ano seguinte. Hafez ocupou o cargo por 29 anos até sua morte em 2000. Após isso, o regime continuou sob a liderança do filho dele, Bashar.

O jovem Assad cresceu à sombra de seu pai, um aliado soviético que governou a Síria por três décadas e ajudou a impulsionar a minoria alauíta a importantes cargos políticos, sociais e militares.

Assim como seu filho, Hafez al-Assad tolerava pouca dissidência, com opressão generalizada e surtos periódicos de extrema violência estatal.

Em 1982, na cidade de Hama – que os rebeldes tomaram no início desta semana – Hafez al-Assad ordenou que seu exército e serviços de inteligência massacrassem milhares de oponentes, pondo fim a uma revolta liderada pela Irmandade Muçulmana.

Como segundo filho, sem perspectivas de assumir o legado do pai, Assad estudou oftalmologia em Londres até que seu irmão mais velho, Bassel, que havia sido preparado para suceder Hafez, morreu em um acidente de carro em 1994.

Bashar al-Assad foi então alçado ao centro das atenções nacionais e estudou ciências militares, tornando-se posteriormente coronel do exército sírio.

Após a morte de seu pai em junho de 2000, bastaram poucas horas para que o Parlamento sírio alterasse a constituição, reduzindo a idade mínima para elegibilidade presidencial de 40 anos para a idade de Assad na época, 34 anos, uma medida que lhe permitiu suceder seu pai após eleições sem oposição no mês seguinte.

Muitos observadores na Europa e nos Estados Unidos pareceram animados com o presidente eleito, que se apresentou como um líder jovem e dinâmico que poderia inaugurar um regime mais progressista e moderado.

A esposa de Assad, Asma al-Assad, com quem ele se casou em 2000, uma ex-banqueira de investimentos de ascendência síria que cresceu em Londres, ajudou a reforçar essa visão.

Mas as esperanças ocidentais de uma Síria mais moderada afundaram quando o novo líder prontamente manteve os laços tradicionais do país com grupos militantes, como o Hamas e o Hezbollah.

Em seguida, passaram a condenar abertamente o regime depois que ele reprimiu com brutalidade o movimento pró-democracia de 2011.

Para manter o domínio de décadas, o regime de Basdhar matou centenas de milhares de pessoas, prendeu opositores e agiu de maneira violenta com milhões de pessoas de dentro e fora da Síria.

No auge da Primavera Árabe, em 2011, manifestantes pró-democracia foram às ruas na Síria pedindo a saída de Assad. Os manifestantes foram recebidos com força letal.

À medida que o Exército de Assad esmagava o movimento pró-democracia, uma oposição armada começou a se formar, composta por pequenas milícias orgânicas e alguns desertores das Forças sírias.

No mesmo ano, Estados Unidos, Jordânia, Turquia e União Europeia pediram que Assad renunciasse. Em maio de 2011, o então presidente dos EUA, Barack Obama, disse que o regime de Assad havia "escolhido o caminho do assassinato e das prisões em massa de seus cidadãos" e pediu que ele liderasse uma transição democrática "ou saísse do caminho".

Em 2014, Assad foi reeleito com 88,7% dos votos. Essa foi a primeira eleição da Síria desde o início da guerra civil, em 2011.

E em 2021, Assad foi reeleito com 95,1% dos votos, embora os EUA, Reino Unido, França, Alemanha e Itália tenham emitido declaração conjunta chamando o pleito de “eleição fraudulenta”.

O domínio de Assad sobre o país foi reforçado por seus aliados. À medida que as forças antigovernamentais cresceram após a Primavera Árabe de 2011, a Guarda Revolucionária do Irã, bem como seu representante libanês Hezbollah, ajudaram a combater os grupos rebeldes armados no solo.

A Força Aérea Síria foi reforçada por aviões de guerra russos.

Assad foi acusado de violações de direitos humanos durante a guerra. Em 2013, inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) retornaram evidências "avassaladoras e indiscutíveis" do uso de gás na Síria.

A Equipe de Investigação e Identificação da Organização para a Proibição de Armas Químicas concluiu que as forças de Assad foram responsáveis ​​por uma série de ataques químicos em uma cidade síria no final de março de 2017.

Autoridades sírias negaram repetidamente as alegações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, insistindo que eles têm como alvo terroristas e não manifestantes pacíficos.