Biden anuncia retirada de tropas americanas do Afeganistão até 11 de setembro

O presidente dos Estados Unidos avaliava a decisão há meses; a saída das tropas marca um fim simbólico para a guerra mais longa da história americana

Rafaela Lara e Leonardo Lellis*, da CNN, em São Paulo

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quarta-feira (14) a retirada das tropas americanas do Afeganistão até 11 de setembro, 20º aniversário dos ataques terroristas de 2001 que destruíram as Torres Gêmeas, em Nova York, e deixaram 2.996 mortos.

A decisão vinha sendo analisada por Biden e seus assessores há meses. O anúncio marca um fim simbólico para a guerra mais longa da história americana. Esta é a primeira grande decisão de Biden em relação às Forças Armadas dos Estados Unidos que atuam no exterior.

“Eu sou agora o quarto presidente dos Estados Unidos a presidir a presença de tropas americanas no Afeganistão. Já foram dois republicanos, dois democratas. Não vou passar essa responsabilidade para um quinto”, disse Biden, em pronunciamento nesta quarta. “É hora de encerrar a guerra mais longa dos EUA. É hora das tropas americanas voltarem do Afeganistão”, concluiu.

O processo de retirada das tropas começará no dia 1º de maio. “Os EUA começarão a retirada em 1º de maio deste ano. Não vamos nos precipitar para sair. Faremos isso de maneira responsável e segura, em total coordenação com nossos aliados que agora têm mais forças no Afeganistão do que nós “, disse Biden. 

A data do início do processo de retirada foi inicialmente definida como a final para a presença americana no país em um acordo do governo Trump com o grupo fundamentalista islâmico Talibã. Em março, Biden sinalizou que dificilmente cumpriria o prazo de 1º de maio estabelecido no governo Trump, mas disse em sua primeira entrevista coletiva como presidente que não previa que as tropas dos Estados Unidos permanecessem no Afeganistão no próximo ano.

Em seu pronunciamento, Biden disse que conversou com o ex-presidente George W. Bush, que iniciou a campanha militar no país asiático em 2001, após o ataque às Torres Gêmeas. “Apesar de termos muitas divergências ao longo dos anos, estamos absolutamente unidos em nosso respeito à bravura, coragem e integridade das mulheres e homens das forças armadas dos Estados Unidos que serviram”, disse Biden.

Biden ressaltou que os EUA continuarão alerta para novas ameaças terroristas. “Vamos reorganizar nossa capacidade de contraterrorismo para evitar o ressurgimento da ameaça terrorista. Vamos responsabilizar o Talibã por seu compromisso de não permitir que nenhum terrorista ameace os Estados Unidos ou seus aliados em solo afegão. O governo afegão também assumiu esse compromisso.”

Citando a China e a possibilidade de uma nova pandemia, Biden disse também que os EUA devem se concentrar em outras prioridades. “Temos que rastrear e desmantelar as redes e operações terroristas que se espalharam muito além do Afeganistão desde 11 de setembro. Precisamos apoiar a competitividade americana para enfrentar a dura competição com a China”, disse. “Temos que derrotar esta pandemia e fortalecer os sistemas globais de saúde para nos prepararmos para a próxima, porque haverá outra pandemia”, completou.

O ataque às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001 desencadeou o ataque inicial dos Estados Unidos ao Afeganistão. Autoridades estimam que há cerca de 2.500 soldados norte-americanos no país.

Além disso, ainda não está claro o que acontecerá com as forças de operações especiais dos Estados Unidos que costumam trabalhar para a CIA em missões de combate ao terrorismo. Essas tropas não são reconhecidas publicamente e não fazem parte do cálculo formal no país.

Riscos

A decisão de definir um prazo para a retirada traz riscos, já que comandantes militares de alto escalão defendem a manutenção das tropas americanas no país e argumentam que uma retirada prematura pode levar ao colapso do governo afegão.

Os recentes ataques contra as forças dos Estados Unidos no Afeganistão também alimentaram preocupações. O Talibã  teve como alvo duas vezes uma das bases mais fortemente guardadas do país em março e que militares dos Estados Unidos que trabalhavam para a CIA estavam na instalação quando ela foi atacada.

Os Estados Unidos querem manter presença de inteligência no Afeganistão, segundo duas fontes familiarizadas com o assunto. A avaliação anual da comunidade de inteligência dos Estados Unidos aponta que as perspectivas de um acordo de paz entre o Talibã e o governo afegão “permanecem baixas durante o próximo ano”.

(*Com informações de Heloisa Vilella, Kevin Liptak, Jeremy Herb, Barbara Starr e Kylie Atwood, da CNN)

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Foto: Andrew Harnik-Pool/Getty Images

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