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    Retrospectiva 2022

    Biden com baixa popularidade, Trump com problemas na Justiça, Congresso dividido: 2022 termina sem favoritos políticos nos EUA

    A dois anos da próxima eleição presidencial nos Estados Unidos, o clima político no país é instável

    O presidente dos EUA Joe Biden
    O presidente dos EUA Joe Biden 2/12/ 2022Kevin Lamarque/Reuters

    Mariana Janjácomoda CNN de Nova York

    A dois anos da próxima eleição presidencial nos Estados Unidos, o clima político no país é instável e ainda não é possível apontar os nomes que estarão na disputa. Apesar de ter conseguido ampliar a maioria do partido no Senado, o presidente americano, Joe Biden, ainda enfrenta obstáculos para tentar a reeleição. Na oposição, o cenário também é incerto: o ex-presidente Donald Trump, que prometeu um retorno às urnas em 2024, passa por um momento conturbado depois de um ano com sucessivas derrotas na Justiça e uma imagem política cada vez mais desgastada dentro do próprio partido.

    Em meio a tantas dúvidas, uma pesquisa da CNN nos Estados Unidos mostrou que a maioria dos americanos não quer ver um duelo Biden versus Trump pela segunda vez. Segundo a enquete, feita no começo de dezembro, 62% dos eleitores republicanos esperam que outra pessoa represente o partido em 2024. Entre os democratas, 59% dizem preferir outro candidato disputando a próxima eleição.

    Além das questões envolvendo os potenciais candidatos, o ano também foi marcado pelo papel decisivo de uma Suprema Corte conservadora e polêmica, por protestos que repercutiram no mundo todo e por ações históricas do Congresso. Abaixo, confira quais foram os principais destaques na política americana em 2022 e como os acontecimentos ajudam a traçar as perspectivas para os próximos anos no país.

    Eleições legislativas têm saldo positivo para democratas – mesmo com Biden impopular

    A enorme “onda vermelha” (referência à cor que representa o partido republicano) que muitos esperavam nas eleições de meio de mandato não aconteceu. Os democratas perderam a maioria na Câmara dos Deputados, é verdade, mas os resultados foram acirrados: no ano que vem, a casa será composta por 222 republicanos e 213 democratas. Já no Senado, o partido de Joe Biden conquistou um assento a mais e não precisará mais do voto de Minerva da vice-presidente, Kamala Harris, para formar maioria nas decisões.

    Os resultados encorajaram Biden o suficiente para anunciar que apesar de ainda não ter tomado uma decisão formal, ele tem, sim, a intenção de tentar se reeleger em 2024. Só que o mérito do presidente nesta conquista é questionável. Às vésperas das eleições, em novembro, o índice de aprovação do governo Biden era de apenas 39%.

    O saldo positivo para os democratas não pode ser lido puramente como uma manifestação de apoio ao presidente – são muitos os fatores que podem ter levado os eleitores a votar nos candidatos do partido. Entre eles, destaca-se a rejeição à oposição, marcada recentemente pela recusa em apoiar a causa do direito ao aborto e pelas contestações da eleição de 2020, vistas por muitos como ataques à democracia. De qualquer forma, Biden agora faz um esforço para convencer a opinião pública de que os resultados positivos aconteceram por causa – e não apesar – dele.

    Trump sofre derrotas na Justiça e nas urnas

    Ao perder a eleição de 2020, além de contestar o resultado, Donald Trump prometeu que voltaria. Mas esse objetivo parece cada vez mais distante, por causa da série de problemas que envolvem o ex-presidente e desgastam sua imagem política. Trump é alvo de uma série de investigações na Justiça: há um comitê na Câmara dos Deputados destinado a provar sua responsabilidade pela invasão do Capitólio, uma investigação sobre seus esforços para mudar o resultado da eleição na Geórgia, estado tradicionalmente republicano que Biden conseguiu virar em 2020, e uma série de processos envolvendo suas empresas – em um deles, a Trump Organization foi condenada por fraude fiscal.

    Além disso, Trump se tornou o primeiro ex-presidente da história dos Estados Unidos a ter sua casa averiguada pelo FBI. Com um mandado de busca, os agentes do FBI recuperaram na mansão de Trump na Flórida uma série de documentos oficiais do governo que não poderiam estar lá – deveriam ter sido encaminhados a um departamento federal específico, onde seriam armazenados nas condições corretas, com acesso restrito. Os registros podem ter material sensível, capaz de colocar a segurança nacional em risco. Danificar os arquivos de alguma forma é crime, e por isso Trump é investigado pela forma como lidou com os documentos.

    É cedo para dizer se Trump será condenado em alguma dessas investigações, mas a espiral de problemas já afeta a imagem pública do ex-presidente. Nas eleições de meio de mandato, candidatos apoiados por Trump perderam em Nevada, no Arizona, na Pensilvânia e na Geórgia, levantando a questão sobre até que ponto ainda é interessante manter laços políticos com o presidente. Ao mesmo tempo, ele tenta demonstrar que tem força suficiente para ser escolhido pelos republicanos para representar o partido mais uma vez em 2024. Só que além dos problemas, Trump ainda pode ter que enfrentar um concorrente de peso, o polêmico governador da Flórida, Ron De Santis.

    Suprema Corte restringe direito ao aborto e amplia acesso a armas

    A atual composição da Suprema Corte, com seis juizes conservadores e três liberais, adotou duas medidas que causaram polêmicas e provocaram protestos nos Estados Unidos. Os juizes reverteram a decisão que era usada como precedente para garantir o direito ao aborto em todo o país, e deram aos estados o poder de decidir se permitem ou não o procedimento. Paralelamente, os juízes fizeram o oposto com relação às armas: tiraram dos estados o poder de proibir o porte de armas, determinando que o porte é legal em todo o país. A medida ainda é alvo de contestações na Justiça, inclusive em Nova York, um dos lugares com acesso mais restrito às armas dos Estados Unidos.

    No Congresso, negociações garantem acordos históricos para o clima e casamento homoafetivo

    A polarização dos partidos, que se movem cada vez mais para longe de um lugar com ideias em comum, e a composição do Senado, dificultaram a aprovação de medidas durante o primeiro mandato de Joe Biden. Com uma divisão igual, 50 democratas e 50 republicanos, além do voto de Minerva da vice-presidente, Kamala Harris, a discordância de um senador já era suficiente para impedir que qualquer projeto fosse para a frente. E isso aconteceu diversas vezes por causa de dois nomes: Kyrsten Sinema, do Arizona, e Joe Manchin, de West Virginia.

    Sinema e Manchin se descrevem como moderados e discordaram da opinião do partido democrata diversas vezes ao longo do ano. A poisção de Manchin, em particular, foi decisiva para uma das principais promessas de campanha de Biden, o pacote para o meio-ambiente. O senador, que representa um dos principais estados produtores de carvão do pais, se opôs à versão original do plano e exigiu uma série de concessões para ser favorável ao projeto. O acordo foi feito e, mesmo com as concessões, celebrado por ambientalistas. Afinal, trata-se do maior pacote de investimentos para o meio-ambiente da história dos Estados Unidos, com 369 bilhões de dólares em iniciativas para o clima.

    Outra vitória de Biden no Congresso foi em dezembro, quando o presidente conseguiu apoio bipartidário para aprovar a medida que protege o reconhecimento dos casamentos homoafetivos em todo o país. Neste caso, a articulação para conseguir os votos necessários da oposição partiu de integrantes do partido republicano que se identificam como parte da comunidade LGBTQIA+. O projeto foi uma resposta dos congressistas aos temores de que a Suprema Corte, de maioria conservadora, possa dar aos estados o poder de proibir uniões deste tipo. Uma lei nos mesmos moldes protegeria o direito ao aborto, mesmo com a decisão da Suprema Corte – mas Biden admitiu que não teria apoio suficiente para isso.