Biden culpa Trump por invasão do Capitólio em aniversário de um ano do ataque

Democrata fez discurso dizendo que "ego ferido" do ex-presidente americano é "mais importante para ele do que nossa democracia ou nossa Constituição"

Léo Lopesda CNN

em São Paulo

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No aniversário de um ano da invasão do Capitólio dos Estados Unidos, o presidente Joe Biden foi até o prédio do Congresso americano e fez um discurso no qual culpou o ex-presidente Donald Trump diretamente pela violência do ataque.

“Pela primeira vez em nossa história, um presidente não apenas perdeu uma eleição, ele tentou impedir a transferência pacífica do poder quando uma multidão violenta violou o Capitólio”, declarou Biden durante sua fala, que durou pouco mais de trinta minutos.

“Mas eles falharam. Eles falharam. E neste dia de lembrança, nós devemos se certificar de que tal ataque nunca, nunca aconteça novamente”, complementou.

Trump chegou a convocar uma coletiva de imprensa para esta quinta (6), mas cancelou os planos.

Embora tenha condenado suas ações repetidamente, Biden não citou o nome de Donald Trump nenhuma vez durante o discurso, chamando-o apenas de “ex-presidente” – 16 vezes no total.

Mais tarde, em conversa com repórteres, ele explicou que essa opção foi adotada para “não transformar isso em uma batalha política contemporânea”, dizendo que a invasão “vai muito além”.

“Aqui está a verdade: um ex-presidente dos Estados Unidos da América criou e espalhou uma rede de mentiras sobre as eleições de 2020. Ele fez isso porque valoriza o poder acima de princípios. Porque ele vê seu próprio interesse como mais importante do que o interesse de seu país e o interesse da América”, afirmou Biden no discurso.

“E porque seu ego ferido é mais importante para ele do que nossa democracia ou nossa Constituição. Ele não pode aceitar que perdeu”, completou.

Três grandes mentiras

Biden descreveu “três grandes mentiras” que Trump e seus apoiadores tentaram emplacar antes e depois do dia 6 de janeiro de 2021.

A “primeira grande mentira” descrita pelo presidente é que os manifestantes “tentaram reescrever a história” dizendo que a insurreição aconteceu na verdade no dia das eleições.

Biden disse que essa é uma maneira “distorcida” de olhar para os EUA.

“A eleição de 2020 foi a maior demonstração de democracia na história deste país. Mais de vocês votaram naquela eleição do que em toda a história americana. Mais de 150 milhões de americanos foram às urnas e votaram naquele dia – em um pandemia, alguns com grande risco de suas vidas. Eles deveriam ser aplaudidos, não atacados”, disse.

“O ex-presidente e seus apoiadores decidiram que a única maneira de vencer é suprimir seu voto e subverter nossas eleições. É errado. É antidemocrático. E, francamente, não é americano”, complementou.

A “segunda grande mentira” descrita pelo presidente é que os resultados das eleições não seriam confiáveis.

Biden criticou as repetidas auditorias de votos cobradas pelo Partido Republicano, que “mostravam repetidamente que não havia fraude eleitoral”.

“Vamos falar abertamente sobre o que aconteceu em 2020. Mesmo antes do primeiro voto ser feito, o ex-presidente já semeava dúvidas sobre os resultados das eleições. Ele construiu sua mentira ao longo de meses, não se baseava em fatos. Ele estava apenas procurando uma desculpa, um pretexto para encobrir a verdade”, disse o democrata.

Já a “terceira grande mentira” que Biden culpa Trump e seus apoiadores é a ideia de que os invasores do Capitólio eram patriotas.

“É isso que você pensou? Quando você olhou para a multidão saqueando o Capitólio, destruindo propriedades, literalmente defecando nos corredores […] caçando congressistas, patriotas? Não na minha opinião. Para mim, os verdadeiros patriotas eram ainda os mais de 150 milhões de americanos que expressaram pacificamente seu voto nas urnas”, declarou.

Invasores “apontaram uma adaga para a garganta da América”

Durante sua fala, Joe Biden também disse que os americanos precisam encarar a verdade sobre o dia 6 de janeiro de 2021 para que possam seguir em frente.

Ele fez referência ao comentário de um congressista republicano, Andrew Clyde, que chamou a invasão de manifestantes de “uma visita turística normal”.

“Não era um grupo de turistas. Foi uma insurreição armada. Eles não estavam procurando defender a vontade do povo. Eles estavam tentando negar a vontade do povo”, disse Biden.

Ele disse que todos os americanos viram os eventos daquele dia – uma multidão quebrando janelas, atacando oficiais e violando o Capitólio.

“Não se trata de ficar preso ao passado. Trata-se de garantir que o passado não seja enterrado. Esse é o único caminho a seguir. Isso é o que as grandes nações fazem. Elas não enterram a verdade. Elas a enfrentam”, afirmou o presidente

Biden descreveu os homens e mulheres que invadiram o Capitólio há um ano atrás como ameaças perigosas à democracia americana.

“Aqueles que invadiram este Capitólio, e aqueles que instigaram, incitaram, e convocaram pessoas, apontaram uma adaga para a garganta da América, da democracia americana,” disse.

O presidente acrescentou que essas pessoas “não vieram aqui por patriotismo ou princípios”.

“Eles vieram aqui com raiva. Não a serviço da América, mas a serviço de um homem”, afirmou Biden, aludindo ao ex-presidente Donald Trump.

“Aqueles que incitaram a multidão, os verdadeiros conspiradores que estavam desesperados para negar a certificação desta eleição, desafiam a vontade dos eleitores”, declarou.

Trump: “Esse teatro político é uma distração.”

Pouco após o término do discurso de Biden, o ex-presidente Donald Trump disparou um comunicado à imprensa por e-mail.

“Biden usou meu nome hoje para tentar dividir ainda mais a América”, afirmou a nota.

Trump disse que o presidente democrata está “destruindo nossa nação” em sua gestão, e que “esse teatro político é uma distração para o fato de que Biden falhou completamente”.

“Os democratas querem tomar para si este dia 6 de janeiro para que possam alimentar temores e dividir a América. Eu digo, deixem eles [tomarem] porque a América vê através de suas mentiras e polarizações”, conclui.

* Com informações da CNN Internacional

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