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    Operação dos EUA matou líder da Al Qaeda no fim de semana

    Alvo da operação, descrita pela Casa Branca como "bem-sucedida", era Ayman al-Zawahiri, que chegou a atuar como médico pessoal de Osama Bin Laden

    Donald JuddKevin Liptakda CNN

    Os Estados Unidos mataram o líder da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, em um ataque de drone no Afeganistão.

    “No fim de semana, os Estados Unidos conduziram uma operação de contraterrorismo contra um alvo significativo da Al Qaeda no Afeganistão. A operação foi bem-sucedida e não houve vítimas civis”, disse um alto funcionário do governo.

    A informação foi confirmada nesta segunda-feira (1º) pelo presidente Joe Biden.

    “Foi organizado de maneira meticulosa para que apenas atingisse o alvo”, disse o presidente, acrescentando que nenhum civil “ou pessoa inocente” foi atingido.

    “Nunca mais iremos permitir que o Afeganistão seja um porto seguro para terrorismo. Queremos deixar claro que sempre cumpriremos nossas promessas”, adicionou.

    A autorização para o ataque com drones foi dada pelo próprio chefe do Executivo após informações mostrarem que al-Zawahiri estava em Cabul, capital do Afeganistão, e que o cenário era propício, conforme explicou.

    “Foi organizado de maneira meticulosa para que apenas atingisse o alvo”, disse, acrescentando que nenhum civil “ou pessoa inocente” foi atingido.

    Zawahiri, que acabou de completar 71 anos, permaneceu um símbolo internacional do grupo após a morte de Osama Bin Laden.

    O alvo da operação chegou a atuar como médico pessoal de Bin Laden, morto há 11 anos pelos Estados Unidos.

    O Departamento de Estado dos EUA havia oferecifo uma recompensa de até US$ 25 milhões, cerca de R$ 129 milhões, por informações que levassem diretamente à captura de Zawahiri.

    Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) de junho de 2021 sugeriu que ele estava localizado em algum lugar na região fronteiriça entre Afeganistão e o Paquistão.

    Aliado próximo de Bin Laden

    Zawahiri vem de uma distinta família egípcia, de acordo com o New York Times. Seu avô, Rabia’a ​​al-Zawahiri, era um imã, uma espécie de sacerdote, da Universidade al-Azhar, no Cairo. Seu tio-avô, Abdel Rahman Azzam, foi o primeiro secretário da Liga Árabe — organização de estados árabes.

    Ele ajudou a planejar o ataque terrorista mais mortal em solo americano, quando sequestradores transformaram aviões americanos em mísseis.

    “Aqueles 19 irmãos que saíram e entregaram suas almas a Alá Todo-Poderoso, Deus Todo-Poderoso lhes concedeu esta vitória que estamos desfrutando agora”, disse al-Zawahiri em uma mensagem gravada em vídeo divulgada em abril de 2002.

    Foi a primeira de muitas mensagens provocativas que o terrorista — que se tornou o líder da Al Qaeda depois que as forças americanas mataram Bin Laden em 2011 — enviaria ao longo dos anos, pedindo aos militantes que continuassem a luta contra os Estados Unidos.

    Zawahiri estava constantemente em movimento quando a invasão do Afeganistão liderada pelos EUA começou após os ataques de 11 de setembro de 2001.

    A certa altura, ele escapou por pouco de um ataque americano na região montanhosa e acidentada de Tora Bora, no Afeganistão. O ataque, no entanto, deixou sua esposa e filhos mortos.

    Ele fez sua estreia pública como militante muçulmano quando estava na prisão. Ele foi detido pelo seu envolvimento no assassinato do presidente egípcio Anwar Sadat, em 1981.

    “Queremos falar com o mundo inteiro. Quem somos? Quem somos?”, brandou ele em uma entrevista na prisão.

    Naquela época, al-Zawahiri, um jovem médico, já era um terrorista comprometido que conspirou para derrubar o governo egípcio por anos e procurou substituí-lo pelo regime islâmico fundamentalista. Ele orgulhosamente endossou o assassinato de Sadat depois que o líder egípcio fez as pazes com Israel.

    Ele passou três anos na prisão após o assassinato de Sadat e alegou que foi torturado durante a detenção. Após sua libertação, ele foi para o Paquistão, onde tratou de combatentes feridos que lutaram contra a ocupação soviética do Afeganistão.

    Foi quando conheceu Bin Laden e encontrou uma causa comum.

    “Estamos trabalhando com o irmão Bin Laden”, disse ele ao anunciar a fusão de seu grupo terrorista, a Jihad Islâmica Egípcia, com a Al Qaeda em maio de 1998. “Nós o conhecemos há mais de 10 anos. Lutamos com ele aqui no Afeganistão”, acrescentou.

    Juntos, os dois líderes terroristas assinaram uma declaração: “O julgamento de matar e lutar contra americanos e seus aliados, sejam civis ou militares, é uma obrigação para todo muçulmano”.

    Mentor do 11 de setembro

    Os ataques contra os Estados Unidos e suas instalações começaram semanas depois, com os atentados suicidas das embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, que mataram mais de 200 pessoas e feriram mais de 5.000.

    Zawahiri e Bin Laden se regozijaram depois que escaparam de um ataque de mísseis de cruzeiro norte-americano no Afeganistão, lançado em retaliação.

    Depois, houve o ataque ao USS Cole, no Iêmen, em outubro de 2000, quando homens-bomba em um bote detonaram seu barco, matando 17 marinheiros estadunidenses e ferindo outros 39.

    O ponto culminante da conspiração terrorista de Zawahiri ocorreu em 11 de setembro de 2001, quando cerca de 3.000 pessoas foram mortas nos ataques às torres gêmeas do World Trade Center e do Pentágono.

    Um quarto avião sequestrado, com destino a Washington, caiu em um campo da Pensilvânia depois que os passageiros reagiram.

    Desde então, al-Zawahiri elevou seu perfil público, aparecendo em vários vídeos e fitas de áudio para instar os muçulmanos a se juntarem à jihad contra os Estados Unidos e seus aliados. Algumas de suas fitas foram seguidas de perto por ataques terroristas.

    Em maio de 2003, por exemplo, ataques suicidas quase simultâneos em Riad, na Arábia Saudita, mataram 23 pessoas, incluindo nove americanos, dias depois que uma fita que supostamente continha a voz de Zawahiri foi lançada.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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