Biden chama invasores do Capitólio de 'terroristas domésticos' e critica Trump
Presidente eleito anunciou escolhidos para os principais cargos do Departamento de Justiça
O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou nesta quinta-feira (7) os atos que resultaram na invasão do Congresso, morte de 4 pessoas e prisão de ao menos 52 em Washington na noite de quarta-feira. Em evento marcado para anunciar os nomes que escolheu para os principais cargos do Departamento de Justiça norte-americano, Biden se manifestou a respeito da violência.
"O que nós testemunhamos ontem não foi desordem, não foi protesto. Foi caos. Eles não eram manifestantes. Não se atrevam a chamá-los de manifestantes. Eles eram terroristas domésticos", declarou o democrata. "E eu gostaria de poder dizer que a gente não poderia prever o que aconteceu, mas isso não é verdade. Nós pudemos prever."
"Nos últimos quatro anos, tivemos um presidente que tornou claro, em tudo o que fez, seu desprezo pela nossa democracia, Constituição, Estado de Direito", apontou Biden. "Ele cometeu um atentado contra nossas instituições democráticas e ontem foi o ápice de seu ataque à livre imprensa, que questiona seu poder, chamando a impresa de inimiga do povo."
Biden afirmou que Trump usou linguagem semelhante à que "autocratas e ditadores do mundo inteiro usam para se manter no poder". "Agora, essa linguagem foi utilizada pelo presidente dos Estados Unidos que está prestes a sair do cargo", disse.

Joe Biden, presidente eleito dos Estados Unidos
Foto: CNN (07.jan.2021)
"Ele achou que poderia ter o apoio dos juízes, porque pensava que a eleição terminaria na Suprema Corte. Foi inacreditável quando os juízes que ele nomeou seguiram a Constituição e mantiveram o Estado de Direito, não só uma vez, mas mais de 60 vezes."
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Biden destacou a importância das instituições democráticas. "Nossa democracia sobreviveu por conta dos homens e mulheres que representam o judiciário independente deste país", declarou."
Na ocasião, o presidente eleito também anunciou os nomes escolhidos para cargos chave do Departamento de Justiça dos EUA. A principal escolha anunciada foi a do juiz Merrick Garland como procurador-geral. O cargo da vice-procuradoria-geral será ocupado pela promotora Lisa Monico.
A advogada especializada em direitos civis Vanita Gupta será procuradora-geral associada e Kristen Clarke será assistente do procurador-geral na área de direitos civis.
Em comunicado, Biden classificou seus escolhidos como profissionais "de primeira linha", capazes de restaurar a independência do Departamento de Justiça norte-americano.
"Nos escolhidos de primeira linha para liderar o Departamento de Justiça são eminentemnte qualificados, encarnam caráter e julgamento irrepreensíveis e dedicaram suas carreiras a servir o povo americano com honra e integridade", disse.
"Eles irão restaurar a independência do Departamento para que sirva aos interesses do povo, e não de uma presidência, irão reconstruir a confiança pública no Estado de Direito e trabalhar incansavelmente para garantir um sistema de justiça mais igualitário."