Bisneta de combatente confronta casal com máscaras nazistas em mercado dos EUA
País vive momento de alta nos registros de antissemitismo; casal disse estar protestando contra a candidatura do opositor de Donald Trump, o democrata Joe Biden

Quando Raphaela Mueller viu um casal usando máscaras com suástica em um mercado da rede Walmart em Minnesota, ela soube que precisava fazer alguma coisa.
"Eu nunca pensei que veria isso com meus próprios olhos", disse Mueller. "Mas nós precisamos estar alertos e preparados para intervir."
Mueller nasceu na Alemanha e a sua bisavó lutou na resistência contra os nazistas durante os anos 1930 e 1940.
A história pessoal dela a obrigou a se manifestar contra o uso de um símbolo de ódio, disse a Don Lemon, da CNN. "Eu disse a mim mesma que se eu não dissesse nada agora, o que a minha bisavó fez ao arriscar a vida dela todos aqueles anos lutando contra a primeira onda de nazistas?"
Casal diz não ser nazista
Mueller e o parceiro dela, Benjamin Ruesch, estavam no Walmart na cidade de Marshall no sábado (25), mesmo dia em que um decreto exigindo o uso de máscaras em todos os locais públicos e comércios passou a valer.
Quando eles viram o homem e a mulher não-identificados conferindo as suas compras com máscaras de suástica presa aos seus rostos, Ruesch começou a confrontar e gravar o casal. "Você é doente. Você tem uma doença", ele disse aos dois quando a mulher parecia posar para a câmera.
"Você não pode usar essa máscara. Não pode. Nós tivemos literalmente uma guerra a respeito disso", continou. "Você está usando uma suástica".
"Eu não sou nazista. Eu estou tentando mostrar o que vai acontecer nos Estados Unidos. Se você votar em Biden [Joe Biden, ex-vice-presidente e pré-candidato de oposição a Donald Trump], você estará na Alemanha Nazista. Vai ser assim que vai ser", respondeu a mulher com a máscara.
"Nós estamos vivendo sob um estado socialista", completou o homem que estava com ela.
"Essa é uma das partes mais chocantes de tudo isso", diz Mueller, "que ela estava tão orgulhosa de estar usando uma máscara como aquela". Ela disse que a maior parte dos outros clientes manteve a cabeça baixa e tentou ignorar a situação, com exceção de um homem que se envolveu.
Nem o Walmart nem as autoridades identificaram o casal.
Prefeito: Incidente não representa cidade
O vídeo trouxe atenção internacional para a cidade, com o prefeito afirmando a WCCO, afiliada local da CNN, que pessoas estavam contatando ele de diversas regiões.
"I incidente que aconteceu no sábado foi apenas um pequeno recorte e não reflete a realidade de toda a cidade de Marshall", disse o prefeito Bob Byrnes em um comunicado na segunda-feira (27). "Nós estamos surpresos que isso foi revelado em algum lugar de Minnesota. É infeliz que isso tenha acontecido na nossa comunidade", afirmou Byrnes à WCCO.
O prefeito afirmou que o casal não faz parte de nenhum grupo de ódio e não enfrentará problemas legais. A polícia de Marshall não respondeu a pedidos de comentário feitos pela CNN, mas afirmou ao jornal Star Tribune que eles abordaram um homem de 59 anos e uma mulher de 64 após relatos vindos do Walmart e avisaram que eles serão presos se retornarem.
Os dois deixaram o local sem registro de ocorrência e não serão indiciados. Em um comunicado à CNN, a porta-voz do Walmart, Delia Garcia, chamou o ocorrido de "inaceitável". "Nós bucamos prover um local de compra segura e confortável para todos os nossos clientes e não vamos tolerar nenhuma forma de discriminação ou assédio de nenhum tipo nos nossos negócios", disse Garcia.
"Nós estamos pedindo a todos que usem coberturas facial ao entrarem nas nossas lojas pela segurança deles e pela segurança de outros e é infeliz que alguns usem a pandemia como uma oportunidade para criar uma situação estressante aos nossos clientes e funcionários da nossa loja". O casal será banido do Walmart por um ano, disse a porta-voz.
Antissemitismo cresce nos EUA
As imagens perturbadoras são registradas na sequência de um relatório da Liga Antidifamação (ADL, na sigla em inglês) que os incidentes e ataques antissemitas são mais frequentes do que nunca nos Estados Unidos.
Mais de 2.100 atos de agressão, vandalismo e assédio foram registrados no último ano, de acordo com a ADL, que monitora essas ocorrências desde 1979. Uma auditoria de incidentes antissemitas divulgada em maio registrou 12% de aumento geral nas ocorrências e 56% de aumento em ataques em 2019.
"Esse foi um ano de atividade antissemita sem precedente, um tempo em que muitas comunidades judaicas ao longo do país tiveram encontros diretos com o ódio", disse o CEO da ADL, Jonathan Greenblat, durante a divulgação em maio.
"Nós estamos comprometidos em combater a alta crescente de ódio e vamos dobrar o nosso trabalho com líderes eleitos, escolas e comunidades para encerrar o círculo do ódio."
Apesar de esforços para educar o público a respeito das atrocidades do holocausto, assim como discriminação e o período que pessoas judias enfrentam nos Estados Unidos e pelo mundo, uma máscara com a suástica ainda está nos rostos de duas pessoas em um Walmart em Minnesota.
"Já foi demonstrado que o trauma passa adiante pelo DNA, então nós sabemos que estamos carregando o que a minha bisavó passou", disse Mueller à CNN. "Eu não perdi ninguém no Holocausto, mas eu sei que muitas outras pessoas perderam. Por isso, só o pensamento de ter que ver isso corta o coração."
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Mueller disse pensar que a mulher no mercado pode não saber exatamente o que usar aquela máscara representa e outras não compreendem quão dolorosa a suástica é. "É também muito aparente que ela não entende totalmente a diferença entre socialismo, socialismo democrático e nacional socialismo (nazismo)", disse.
"Eu também entendo o sentimento de que ela talvez não entenda totalmente quão ofensivo aquele símbolo é para tantas pessoas."
Mueller afirma que enquanto ela obteve muito apoio por parte de pessoas nas rede sociais, ela não consegue acreditar que algo assim continue acontecendo. "Aconteceram tantos incidentes e tantas pessoas compartilharam a história delas e disseram quanto machuca ver símbolos como esses", explica.
"E eles continuam não ouvindo. Então, sendo honesta, eu estou sem palavras."
(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)