Bloqueio de internet no Irã completa dois meses, diz monitor
Regime mantém população em “escuridão digital”, afetando trabalho e gerando incerteza

O bloqueio da internet imposto pelo regime governante do Irã completou 60 dias nesta terça-feira (28), segundo o grupo de monitoramento NetBlocks, deixando os moradores em uma “escuridão digital”.
Há dois meses, as autoridades iranianas “cortaram o acesso à internet global”, afirmou o NetBlocks em uma publicação na rede social X.
O governo já havia imposto um amplo bloqueio das telecomunicações no início deste ano, ao mesmo tempo em que desencadeava a repressão mais letal contra seu próprio povo nos 47 anos de história da República Islâmica.
Na época, defensores dos direitos humanos condenaram as autoridades por tentarem impedir que pessoas dentro do país revelassem ao mundo exterior a dimensão e a ferocidade das atrocidades.
Agora, com o agravamento da pressão econômica decorrente da guerra entre Estados Unidos e Israel contra Teerã e dos ataques retaliatórios, os iranianos, enfrentando um desemprego crescente, afirmam que o bloqueio da internet cortou mais uma possível tábua de salvação.
Uma moradora da cidade de Isfahan, na faixa dos 50 anos, alertou que as mulheres que trabalham em casa têm menos acesso a oportunidades de emprego na internet.
Somayeh, que ensina alemão online há anos, disse à CNN: "Nada funciona direito hoje em dia".
"A queda na renda é ruim, mas o pior é essa incerteza constante. A gente nunca sabe o que vai acontecer", afirmou ela.



