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    Brasil vê chances de acordo entre governo e oposição na Venezuela

    Reunião contou com outros três chefes de Estado: Emmanuel Macron (França), Alberto Fernández (Argentina) e Gustavo Petro (Colômbia)

    Daniel RittnerRaquel Landimda CNN

    Brasília e São Paulo

    Em reunião nesta segunda-feira (17) com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, e um dos principais líderes da oposição no país, Gerardo Blyde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que cabe aos próprios venezuelanos resolver sua crise política e encaminhar um acordo para as eleições de 2024.

    O encontro ocorreu em Bruxelas, às margens da cúpula União Europeia-Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), e contou com outros três chefes de Estado: Emmanuel Macron (França), Alberto Fernández (Argentina) e Gustavo Petro (Colômbia).

    A CNN apurou que o Brasil encarou a presença de Delcy e de Blyde, no encontro, como sinal de que um entendimento governo-oposição ainda é plenamente factível.

    Segundo relatos de participantes, um comentário enfatizado durante a reunião foi o de que eventual acordo facilitaria a derrubada de sanções aplicadas à Venezuela nos últimos anos. Os Estados Unidos aplicam sanções econômicas ao país. Já a UE impõe punições a indivíduos ligados ao regime de Nicolás Maduro.

    Para fomentar o diálogo entre governo e oposição na Venezuela, conforme a avaliação de fontes do Palácio do Planalto e do Itamaraty, é preciso deixar para trás a estratégia das sanções. O mantra de que “isolamento não funciona” tem sido repetido por Lula e por seu principal conselheiro internacional, Celso Amorim, em todas as conversas sobre o processo político no país.

    Por isso, afirmam auxiliares de Lula, é preciso agendar as eleições venezuelanas de 2024 –sem data definida– para antes do pleito nos Estados Unidos, marcado para novembro do ano que vem. Nessa leitura, uma vitória do republicano Donald Trump minaria completamente o incentivo ao diálogo e fortaleceria o processo de isolamento da Venezuela.

    O caso María Corina Machado não foi citado expressamente na reunião desta segunda-feira, conforme participantes, mas foi um pano de fundo das conversas. María Corina ficou inelegível por 15 anos, em decisão da Controladoria-Geral da Venezuela, devido a supostas irregularidades administrativas quando exerceu mandato como deputada (2011-2014).

    Ela vem liderando pesquisas para as primárias da oposição, que têm 14 candidatos e devem ocorrer em outubro. Sua inelegibilidade reacendeu a desconfiança da comunidade internacional em torno das reais perspectivas de eleições livres, justas e transparentes em 2024.

    No entorno de Lula, porém, ela é vista como uma personagem potencialmente desestabilizadora do processo de diálogo – pela postura mais radical contra o governo.

    Embora os próprios assessores presidenciais ressaltem que isso não justifica sua inelegibilidade, eles ponderam que ela dificilmente será uma figura de conciliação.

    Hoje, a percepção nos governos sul-americanos é que Maduro e seus aliados estão dispostos a reabilitar Henrique Capriles Radonski como candidato oposicionista.

    Ex-governador de Miranda, um dos estados mais populosos do país, e segundo colocado nas presidenciais de 2012, contra Hugo Chávez, Capriles também foi inabilitado politicamente por 15 anos. No entanto, ele é visto como moderado e mais capaz de costurar um acordo com o governo venezuelano para as próximas eleições.