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    Órgão de direitos humanos da ONU investigará ações russas na Ucrânia; Brasil votou a favor

    Comissão deverá avaliar supostas violações russas, incluindo possíveis crimes de guerra, cometidas desde a invasão no último dia 24

    Emma Fargeda Reuters

    em Genebra

    O Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou, nesta sexta-feira (4), supostas violações de direitos pela Rússia em sua invasão da Ucrânia e concordou em criar uma comissão para investigá-las, incluindo possíveis crimes de guerra.

    Incluindo o Brasil, 32 membros do Conselho votaram a favor da resolução apresentada pela Ucrânia. Rússia e Eritreia votaram contra, enquanto 13, incluindo a China, se abstiveram.

    “Aqueles da Rússia que dirigem e cometem violações contra meu povo deveriam prestar atenção. As provas serão coletadas, vocês serão identificados e responsabilizados”, disse a embaixadora da Ucrânia nas Nações Unidas em Genebra, Yevheniia Filipenko, apoiada por embaixadores ocidentais.

    O Conselho com sede em Genebra não pode tomar decisões juridicamente vinculativas, mas suas decisões enviam mensagens políticas importantes e podem autorizar investigações, como a que será realizada pela comissão de três pessoas criada pela votação de sexta-feira.

    Mais cedo, Filipenko disse ao Conselho que havia “provas irrefutáveis ​​de violações grosseiras e sistemáticas dos direitos humanos, bem como crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos pela Rússia”.

    A Rússia, que desde 24 de fevereiro chama suas ações de “operação militar especial”, negou atacar civis na Ucrânia.

    Embaixador brasileiro Tovar da Silva Nunes na sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, nesta sexta-feira (4). / UN TV

    Seu delegado, Evgeny Ustinov, disse ao conselho que os apoiadores da resolução “usarão qualquer meio para culpar a Rússia pelos eventos na Ucrânia”.

    Os EUA, que acabaram de se juntar ao corpo como membro votante depois da saída de Donald Trump, chamou o resultado de “uma poderosa condenação das ações da Rússia”.

    A comissão, criada por um período inicial de um ano e encarregada de produzir um relatório até o início de 2023, trabalhará ao lado de uma grande equipe de direitos das Nações Unidas para a Ucrânia, que tem 60 membros.

    Seu escopo exato ainda não foi determinado, mas um diplomata disse que seu mandato para analisar as “causas profundas” do conflito pode incluir investigações de alegações de abusos dentro da Rússia.

    Filipenko disse que a comissão trabalhará ao lado do Tribunal Penal Internacional em Haia, que enviou uma equipe à região da Ucrânia para investigar possíveis crimes de guerra cometidos por todas as partes do conflito.

    Alguns grupos de direitos humanos pediram que a Rússia, membro votante do Conselho de 47 membros, fosse suspensa. No entanto, isso só pode ser decidido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York.

    Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, nesta sexta-feira (4). / UN TV