Brasileiras contam como é morar na Eslovênia, país que decretou fim da epidemia

Eslovênia foi o primeiro país da Europa a decretar o fim da epidemia na última sexta-feira (15)

Eslovênia foi o primeiro país europeu a decretar fim da epidemia do novo coronavírus, em 15 de maio
Eslovênia foi o primeiro país europeu a decretar fim da epidemia do novo coronavírus, em 15 de maio Foto: Arquivo pessoal/Fernanda Vercic

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A Eslovênia foi o primeiro país da Europa a decretar o fim da epidemia, na última sexta-feira (15). A CNN entrevistou duas brasileiras que moram no país para contar como é retomar as atividades após dois meses de distanciamento social.

A Eslovênia tem cerca de dois milhões de habitantes e aproximadamente o tamanho do estado de Sergipe. A capital do país, Liubliana, está localizada apenas a quatro horas de viagem de carro da região da Lombardia, na Itália, primeiro epicentro europeu da pandemia do novo coronavírus, mas teve um destino diferente do país vizinho. 

Com o fim da epidemia, a Eslovênia tem 1.465 casos da Covid-19 e 103 mortes. Em comparação, a Itália tem aproximadamente 31.000 mortes. “A gente sabia que ia chegar aqui em qualquer momento, e ficamos até um pouco surpresos que a Eslovênia foi o último país da região a ter o primeiro caso oficial, era uma questão de tempo”, disse Mariana Veiga, 35, advogada, que mora no país há um ano e meio. 

O primeiro caso da Eslovênia da Covid-19 foi registrado no dia 4 de março. No dia 12, do mesmo mês, autoridades locais decretaram epidemia no país, começando com as medidas de isolamento em 16 de março. “A nossa quarentena foi tranquila, as regras foram muito claras, a população foi informada de uma maneira muito objetiva sobre o que deveria fazer. Começou a afetar minha vida, quando a escolinha do meu filho fechou”, contou Fernanda Vercic, 40, jornalista e fotógrafa, que reside na Eslovênia há oito anos.

O país é apelidado de capital verde da Europa, para Fernanda isso facilitou muito o isolamento. “A cem metros da minha casa, tem uma entrada para uma trilha na beira de um rio, e a gente vai praticamente todos os dias. Isso não foi proibido, então todo o mundo podia ir para áreas verdes, fazer exercício físicos e caminhar”, disse.

Inverno na Eslvênia
Paisagem da Eslovênia no inverno deste ano
Foto: Arquivo pessoal/Fernanda Vercic

Já para a Mariana, a distanciamento social foi mais impactante, “Foi uma experiência inimaginável. A gente ouvia muitas pessoas falando da época de guerra, que não sabia como seria o dia de amanhã, problemas de abastecimento e todas as preocupações. Eu lembrava muito disso, enquanto a gente viveu esse isolamento. Tivemos muitas incertezas, mas confiança que nós estávamos no caminho certo, um sacrifício que todo mundo fazia em prol de um bem maior”, disse a advogada. 

Apesar do premiê esloveno Janez Jansa ter decretado o fim da epidemia no país, isso não significa o retorno total à normalidade. Algumas medidas de proteção ainda vigoram. O filho da Mariana vai retornar para a escola, mas ela precisou assinar um formulário atestando que a saúde da criança está em dia. “Não é que a vida voltou ao normal, está muito longe de ter voltado ao normal. Está todo o mundo cuidadoso, entendendo que ainda precisa tomar as preocupações para a crise não voltar”, comentou. De acordo com o veículo local Rtvslo, para 38% da população, a Eslovênia deveria ter esperado um pouco mais para decretar o fim da epidemia. 

Mãe de uma bebê de 10 meses e um filho de cinco anos, Fernanda aguarda a antiga rotina funcionar como era antes do distanciamento social. O mais velho vai voltar a frequentar a escola, o marido retorna ao escritório, e Fernanda segue em casa com a filha mais nova, pois a licença maternidade na Eslovênia é de um ano. Com o fim da epidemia, Fernanda acredita que vai retomar o que mais sentiu falta durante o isolamento social: tomar um café com as amigas pela manhã no centro da cidade de Kranj, local onde reside. 

“Fiquem em casa. Por mais difícil que seja, fiquem em casa. Saiam apenas para ir ao mercado, uma vez por semana, e se ofereçam para trazer compras para sua vizinha idosa. Cuidem dos idosos. Aproveitem a ‘oportunidade’ dessa epidemia para se conectar com a sua família”, finalizou Fernanda, deixando uma mensagem aos brasileiros que ainda enfrentam o distanciamento social. 

Mariana também deixa um recado de esperança para o Brasil, que ainda vive a incerteza de quando vai poder decretar o fim da epidemia. “Sei que os brasileiros têm muitos motivos para não querer e não poder ficar em casa, mas infelizmente é ficando em casa que a gente consegue superar esse problema enorme. Acreditem na ciência.”

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