Brasileiro descreve horror em explosão no consulado dos EUA em Dubai

Pablo Leite conta como está a situação na cidade dos Emirados Árabes Unidos em meio à guerra no Oriente Médio

Gabriela Piva, da CNN Brasil*
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O brasileiro e piloto de avião Pablo Leite viveu momentos de horror em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, quando o consulado dos Estados Unidos foi atingido por suposto drone do Irã durante a guerra no Oriente Médio.

Leite viveu 20 anos em Dubai e voltou para a cidade na última sexta-feira (27), com a previsão de passar dois dias no local. No entanto, o conflito estourou naquela madrugada.

No dia do ataque ao consulado, ele estava jantando com amigos em um restaurante de Dubai, próximo às principais embaixadas da região.

“A gente ouviu um barulho e era o drone. Segundos depois, um barulho de explosão bem forte, que foi no consulado americano. É realmente difícil de descrever quando você ouve e está tão próximo [da área]”, contou ele em entrevista à CNN Brasil.

“Estávamos a alguns quarteirões, mas foi uma loucura e barulho de polícia. A gente pagou a conta e saiu na hora, porque não sabíamos se poderia ter mais drones”, completou.

Um funcionário dos Emirados Árabes Unidos disse à jornalista Erin Burnett, da CNN Internacional, que o consulado estava fechado no momento do ataque.

“À noite, então, você tenta dormir e não consegue ter aquele sono profundo. Está sempre um pouco preocupado”, disse.

O piloto não é o único com medo de pegar no sono à noite. “Eu estou vendo várias pessoas e famílias que estão dormindo, literalmente, nos corredores dos apartamentos e das casas: não estão dormindo no quarto e na cama. Querem ficar longe dos vidros, caso tenha algum estilhaço ou em caso de quebrar alguma coisa”,

Um dos conhecidos de Leite dormiu com a família na banheira de casa porque era o local mais longe de janelas da residência. Assim, caso houvesse uma explosão a noite na região, teriam menos chances de serem atingidos pelos estilhaços.

Ruas vazias

A sensação de preocupação se espalhou por Dubai desde o início dos ataques. Imagens que circularam nos últimos dias mostraram uma das cidades mais conhecidas do mundo, até pelo turismo, praticamente vazia.

“Você vê muitas pessoas com medo da situação, que não estão saindo de casa, que estão começando a fazer estoque de comidas e mantimentos”, relata.

Para ele, a situação se assemelha à pandemia da covid-19, quando a recomendação era o isolamento em casa. “Eu estou tentando ter uma vida normal aqui, mas a cidade está vazia e as pessoas têm evitado de sair”, pontua.

Mesmo assim, Leite diz que "nunca viu" nada parecido acontecer em Dubai.

Alertas

Leite ainda recebe mensagens do governo pedindo para a população buscar abrigo em seu número de celular com o DDD dos Emirados Árabes Unidos. Ele conta que esses “torpedos” alertam para a vinda de drones e mísseis na região.

“Quando você acha que vão parar, volta tudo”, comenta.

Turistas que não têm um número dos Emirados Árabes Unidos não recebem esses alertas, segundo Leite.

A cidade não tem bunkers, como é o caso de locais como Tel Aviv, em Israel.

Pablo tem ficado hospedado em um hotel, no qual a companhia aérea o alocou junto a outros tripulantes. Por ora, sem perspectiva de voltar para casa.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.

O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.

Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a "ofensiva mais pesada" da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um "direito e dever legítimo".

Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo "é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista". As agressões entre as partes seguem neste domingo.